Preocupação dos cafeicultores, Mancha Aureolada é tema de palestra de pesquisadora do Instituto Biológico de Campinas

outubro 30th, 2013 by equipepec

Por Fabio Alvarenga e Clayton Grillo Pinto

A mancha aureolada, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae, tornou-se uma doença muito importante da cafeicultura, especialmente em algumas regiões, como o sul e o cerrado mineiro, além dos estados de São Paulo e Paraná. Por isso, a pesquisadora do Instituto Biológico de Campinas (SP), Flávia Rodrigues Alves Patrício, tem ministrado palestras com o intuito de difundir as informações e peculiaridades da doença por toda a comunidade cafeeira.

De acordo com ela, as lavouras mais prejudicadas pela doença são as novas, com até três a quatro anos de idade e aquelas que sofreram podas, como recepa ou esqueletamento. Essas são muito suscetíveis, principalmente as situadas em locais de elevada altitude e nas faces sul e sudeste das áreas montanhosas, que estão sujeitas a ventos frios constantes.

A pesquisadora explicou que o aumento da adoção da colheita mecanizada de café, que abre ferimentos podendo favorecer a penetração e disseminação da bactéria nas plantas, pode ter agravado a doença nos cafezais. As condições climáticas que favorecem a mancha aureolada são temperaturas amenas, principalmente à noite, chuvas e elevada umidade relativa do ar.

A bactéria penetra na planta por vários mecanismos, nas brotações jovens e folhas novas, por ferimentos ou aberturas naturais (fotos abaixo) e também nas inflorescências.

Sintoma do ataque em brotação nova e penetração da bactéria por ferimentos na folha

A bactéria penetra sistemicamente nos ramos, que inicialmente exibem lesões escuras que atingem as folhas, e com o avanço da doença ocorre a desfolha dos ramos (veja nas fotos a seguir).

Processo da morte de ramos e folhas pelo ataque da bactéria e a fase avançada da morte

Segundo Flávia, o manejo da mancha aureolada deve iniciar pela utilização de mudas sadias. Por esta razão o produtor deve fazer uma seleção rigorosa das mudas a serem levadas ao campo, evitando o plantio de mudas com sintomas da doença.

“Poucos estudos avaliaram a resistência de cultivares de cafeeiro a essa doença. As do grupo Mundo Novo mostram-se bastante suscetíveis, enquanto que do grupo Catuaí são moderadamente suscetíveis. Algumas cultivares do grupo Icatu parecem ter resistência parcial, e a variedade Geisha e os materiais portadores do gene SH1 (resistência à ferrugem) são considerados resistentes. Porém, mais estudos são necessários para comprovar esta resistência”, explicou.

A pesquisadora complementou. “Em campos infestados o manejo consiste em evitar a ocorrência de ferimentos nas plantas, com o plantio de quebra-ventos, além de aplicações sistemáticas de fungicidas à base de cobre. Entre as opções de quebra-ventos temporários sugerem-se o milheto, a crotalária, o feijão guandu entre outras, e como espécies permanentes podem ser utilizadas grevílea, bananeiras, abacateiro, cedrinho, eucalipto e outras”, disse.

Embora o controle químico de bacterioses não seja tão eficiente quanto o controle químico de doenças provocadas por fungos, a aplicação de fungicidas cúpricos é recomendada para o combate à bactéria em lavouras infestadas.

Aplicações de fungicidas cúpricos nas áreas mais afetadas são recomendadas logo após a colheita e no início do ciclo reprodutivo do cafeeiro, compreendido entre o florescimento e o início da formação dos frutos.

“Depois da colheita, principalmente a mecanizada que provoca ferimentos no caule e nos ramos das plantas, o uso desses fungicidas é muito interessante para a cultura do café, porque evita a entrada de fungos e bactérias pelos ferimentos ocorridos durante a colheita, prevenindo o ataque da mancha aureolada e de outras doenças”, aconselhou.

Além de proteger os cafeeiros os fungicidas à base de cobre conferem um efeito tônico, que promove a recuperação das plantas e aumenta a retenção foliar. Também, reduzem o potencial de inóculo da ferrugem e da cercosporiose, que restaram da safra anterior.

A pesquisadora ressaltou ainda que é importante observar que a proteção com fungicidas cúpricos deve ser feita antes da penetração da bactéria na planta, e em períodos muito chuvosos, de intensa brotação das plantas e no período do florescimento, os intervalos entre as aplicações devem ser reduzidos (20 a 30 dias). No entanto, no início do ano a elevação da temperatura desfavorece a colonização dos cafeeiros pela bactéria e a epidemia da mancha aureolada é, de maneira geral, reduzida. Por esta razão sugere-se que os meses mais quentes do ano fiquem sem aplicações de cobre, para manter o equilíbrio natural do ambiente.

Por se tratar da aplicação de produtos químicos, a utilização de fungicidas cúpricos deve ser orientada por engenheiros agrônomos devidamente habilitados.

Em visita ao INCT Café, pesquisadora americana que coordena o sequenciamento do genoma do fungo causador da ferrugem dá detalhes sobre o progresso das pesquisas

outubro 25th, 2013 by equipepec

Pesquisadoras Sandra Mathioni, Nicole Donofrio e coordenador do INCT Café, Mário Lúcio Vilela de Resende, observam experimento com mudas de café na Casa de Vegetação do instituto
Por Fabio Alvarenga e Clayton Grillo Pinto

Para dar continuidade à parceria entre o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Café (INCT Café) e a Universidade de Delaware (UD) nos Estados Unidos, a pesquisadora e professora da instituição americana, Nicole Donofrio, visitou no último dia 17 a sede do INCT Café na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Um dos objetivos dessa parceria é o sequenciamento do genoma do fungo Hemileia vastatrix, causador da ferrugem, uma das doenças mais importantes do cafeeiro.

Juntamente com outros dois professores da UD, Donofrio coordena as atividades de sequenciamento e trouxe detalhes sobre o progresso do sequenciamento das raças 2 e 33 do fungo. A raça 2 é a mais encontrada no Brasil e para a qual, plantas com moderada resistência já foram melhoradas e são cultivadas pelos produtores. Entretanto, a raça 33 vem superando a resistência das cultivares em uso.

Segundo Donofrio, o sequenciamento e a comparação do genoma das duas raças possibilitará a identificação do modo como o fungo está quebrando a resistência da planta. “Os resultados obtidos são de extrema importância para o entendimento da interação entre o fungo e o cafeeiro e para o desenvolvimento de cultivares resistentes à essa nova raça”, explicou a pesquisadora.

Até o momento, uma das raças já foi sequenciada e os trabalhos de montagem do genoma, usando ferramentas de bioinformática, já foram iniciados e o seu término está estimado para dezembro de 2013.

Atualmente, dois estudantes brasileiros e bolsistas do INCT Café, por meio do programa Ciências sem Fronteiras, estão participando do projeto. A aluna de doutorado em Biotecnologia Vegetal (UFLA), Brenda Neves Porto, e Thiago Andrade Maia, pós-doutorando da Universidade Federal de Viçosa (UFV) estão desde julho no Instituto Avançado de Biotecnologia da universidade americana, o ‘Delaware Biotechnology Institute’.

A Dra. Sandra Mathioni, que obteve seu título de doutorado na universidade americana e que atualmente é pesquisadora visitante pela Fapemig no INCT Café, também participa do projeto de sequenciamento e tem mediado a colaboração entre a Universidade de Delaware e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Café.

“Além do avanço do conhecimento sobre a interação entre o patógeno e a planta, essa colaboração está formando recursos humanos em tecnologias de ponta, que a médio e longo prazo contribuirão para o desenvolvimento de resistência múltipla, não somente à ferrugem, mas também a outras doenças do cafeeiro”, disse Sandra Mathioni.

O coordenador do INCT Café, Mário Lúcio Vilela de Resende, ressalta que outros patógenos deverão também ter seus genomas sequenciados, a partir da interação com a instituição americana, a exemplo das bactérias que atualmente vem causando grandes perdas em viveiros e plantações de café. “Pouco conhecemos sobre a etiologia das bacterioses no cafeeiro, e o conhecimento da biologia molecular destes patógenos muito contribuirá para a montagem de estratégias mais eficazes para o manejo destas doenças”¨, afirma o coordenador.

O INCT Café faz parte do Programa dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, e é financiado principalmente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O INCT Café está sediado na Universidade Federal de Lavras (UFLA), junto ao Polo de Excelência do Café.

Participam da rede do INCT Café, pesquisadores, bolsistas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, além de representantes de diversas instituições de pesquisa, como a Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Café, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (INCAPER) e Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Professores da Inglaterra e dos Estados Unidos visitam o Setor de Cafeicultura da UFLA e elogiam o trabalho desenvolvido no INCT Café

outubro 17th, 2013 by equipepec

Professores observando a seleção de genótipos de cafeeiro para resistência à doenças fúngicas e bacterianas na Casa de Vegetação do INCT Café

Por Fabio Alvarenga

O Setor de Cafeicultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA) recebeu na última quinta-feira (10) as visitas dos professores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, Robert Blanchette e da Universidade de Bath, na Inglaterra, Richard Cooper. Os docentes estiveram na universidade para participar do XII Simpósio de Manejo de Doenças de Plantas, organizado pelo Núcleo de Estudos em Fitopatologia (NEFIT).

Os visitantes foram recebidos pelo coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Café (INCT Café), Mário Lúcio Vilela de Resende, que apresentou as dependências do INCT Café, Polo de Excelência do Café e Polo de Tecnologia em Qualidade do Café, onde tiveram a oportunidade de conhecer o processo produtivo e de secagem de grãos, laboratórios e linhas de pesquisa.

Logo depois, os docentes visitaram lavouras de café na área experimental do INCT Café na universidade, em que trabalhos são conduzidos com a finalidade de promover a indução de resistência contra doenças. Eles também estiveram nas Casas de Vegetação do Departamento de Fitopatologia da UFLA, onde se controlam temperatura e umidade para o desenvolvimento de experimentos com plantas. Os dois elogiaram o trabalho de pesquisa realizado no instituto.

O professor da Universidade de Bath, Richard Cooper, externou as suas impressões da passagem pela instituição. “É a minha terceira vez aqui no Brasil. Fico feliz com o crescente número de estudantes em ciências agrárias. Na Europa isso não ocorre, o que é triste”, disse Cooper.

Robert Blanchette também elogiou as pesquisas desenvolvidas no INCT Café. “Esta é minha primeira visita ao Brasil e estou impressionado com a quantidade de boas pesquisas que estão sendo desenvolvidas com o café. As doenças do cafeeiro são um grande problema atualmente e o trabalho feito aqui no instituto para controlá-las é muito bom”, finalizou Blanchette.

Palestra sobre certificação de café é apresentada para extensionistas da Emater-MG na UFLA

outubro 14th, 2013 by equipepec

Extensionistas da Emater-MG acompanham preleção do pesquisador do IAC Sérgio Parreiras Pereira
Por Fabio Alvarenga

A certificação de cafés sustentáveis é um dos temas mais demandados por parte dos cafeicultores e extensionistas nos últimos anos. Dentro deste contexto, o pesquisador científico do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Sérgio Parreiras Pereira, proferiu no último dia 4 a palestra “Certificação de Cafés Sustentáveis” no enceramento da segunda fase do treinamento em tecnologias sustentáveis para extensionistas na Universidade Federal de Lavras (UFLA).

O curso foi direcionado a 146 extensionistas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) em parceira com a Embrapa Café e o Consórcio Pesquisa Café. O treinamento contou com técnicos da empresa que trabalham nas quatro regiões produtoras de café do estado e foi apoiado por meio de convenio firmado junto ao Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Em sua apresentação o pesquisador fez uma breve preleção sobre o histórico do desenvolvimento rural sustentável, segmentação de mercado, agregação de valor, tipos e formas de certificação e ainda apresentou detalhes sobre cada um dos programas de certificação/verificação em andamento no Brasil.

De acordo com Pereira a adequação às diferentes normas e códigos vem sendo feita pelos cafeicultores. “O Brasil é o maior produtor e fornecedor de cafés certificados do mundo. Ao longo dos últimos anos os cafeicultores brasileiros têm adequado suas propriedades às diferentes normas e códigos de conduta vigentes. A demanda por cafés sustentáveis é crescente e o Brasil deve estar atento à manutenção e ampliação dessa liderança no mercado internacional”, disse.

Presente na apresentação o gerente executivo do Polo de Excelência do Café, Edinaldo José Abrahão destacou o inovador programa Certifica Minas Café. “Minas Gerais é o único estado que possui política pública voltada à certificação de café, por meio do programa Certifica Minas Café. A Emater mantém permanentemente um grupo de 40 técnicos especializados em cafeicultura e certificação junto aos extensionistas dos escritórios locais para viabilizar o programa”, explicou.

De acordo com o pesquisador Sérgio Pereira os programas internacionais de certificação e verificação tem buscado aproximação com o Certifica Minas Café. “Na Semana Internacional do Café que aconteceu em Belo Horizonte no ultimo mês, a UTZ Certified e o governo de Minas Gerais consolidaram um acordo de colaboração que consiste no alinhamento do Código de Conduta UTZ e o padrão de certificação Certifica Minas Café. Nesse mesmo evento a Associação 4C formalizou o termo de cooperação técnica com o governo de Minas Gerais visando a avaliação comparativa entre os padrões do Certifica Minas Café e 4C e, dependendo dos resultados, evoluir para outros entendimentos que venham a facilitar a obtenção da licença 4C por parte daqueles cafeicultores que já possuam o certificado mineiro”, finalizou.

Irrigação por gotejamento em café é destaque em treinamento da Emater-MG na UFLA

outubro 8th, 2013 by equipepec

Visão de lavouras da mesma variedade, plantadas na mesma época e bem manejadas, porém, uma irrigada por gotejamento à direita e a outra conduzida no sistema convencional de sequeiro, em período de seca prolongada durante o mês de outubro de 2007.
Por Fabio Alvarenga

Após a segunda fase do Treinamento em Tecnologias Sustentáveis para Extensionistas da EMATER-MG, encerrada na última sexta-feira (4) na Universidade Federal de Lavras (UFLA), um dos destaques da programação foi a apresentação da palestra “Aspectos Práticos da Irrigação por Gotejamento em Café”, feita pelo engenheiro agrônomo, consultor e assessor técnico autônomo em cafeicultura convencional e irrigada, Clayton Grillo Pinto, na terça-feira (1).

O foco da apresentação contemplou os benefícios da irrigação para o cultivo do café, mesmo em regiões em que o volume de chuvas não é limitante para a cultura, como é o caso do sul de Minas Gerais.

O palestrante enfatizou que, no caso da água para produção agrícola, o volume mínimo exigido pela cultura é fundamental, mas, igualmente importante é a distribuição das chuvas, uma vez que há determinadas fases em que as plantas necessitam de água naquele momento para completar a contento seu ciclo de produção. Assim, as lavouras irrigadas não sofrem com a falta de água nos veranicos, que são períodos sem chuva e geralmente com temperaturas altas durante a época das águas.

O consultor mostrou que no caso do café os benefícios da irrigação são certos, visto que o aumento da produtividade é significativo. Em comparação com lavouras conduzidas no sistema de sequeiro, as irrigadas tiveram média de produtividade 40% superior, com 60,34 sacas beneficiadas por hectare contra 43,10 no sequeiro, e o mais importante: em oito safras consecutivas. Estas informações são de uma propriedade localizada no município de São Sebastião do Paraíso, no sudoeste de Minas.

Após a colheita de 2009 o cafeicultor Francisco José Tonin, satisfeito com o resultado da irrigação, ampliou o sistema para os talhões até então não irrigados. “Instalamos o gotejamento em 2000, e as safras colhidas a partir de 2002 foram influenciadas pela irrigação. Faço conta, e depois de oito colheitas seguidas não teve jeito. Investi e passei a irrigar o restante de minhas lavouras”, disse o cafeicultor empresário.

Clayton Pinto ressaltou a importância de se seguir todos os passos e montar um sistema de irrigação de alto padrão, automatizado e que permita a prática, não só da fertirrigação, como também da aplicação de defensivos agrícolas por meio do sistema.

“Para usufruir de todos os benefícios do gotejamento, o cafeicultor deve procurar uma empresa idônea e utilizar materiais de primeira linha, pois, deve haver precisão na aplicação, de forma que dentro de cada setor de irrigação todas as plantas recebem a mesma quantidade de água, independentemente da topografia do terreno”, explicou o consultor.

Quanto ao aspecto mais questionado, ou seja, se financeiramente compensa investir na irrigação, o cafeicultor Francisco Tonin deu mais detalhes. “O ano de 2011 foi de safra baixa na minha fazenda. Colhi 34,8 sacas por hectare e mesmo assim tive um retorno líquido de R$ 0,57 para cada um real investido. Já em 2012, o retorno líquido foi de R$ 1,16 por cada real aplicado na atividade, com as 64,4 sacas produzidas por hectare”.

A título de informação, as lavouras em questão são mecanizadas, mas, com repasses manuais em operações como manejo de plantas invasoras, colheita e varrição.

Durante a apresentação o consultor enfatizou que, com a irrigação por gotejamento, gasta-se menos água em relação a outros sistemas. O consumo a mais é de 20% quando se utiliza a tripa e chega a 40% com o pivô central LEPA, mais usado na cafeicultura.

“A água bem manejada tem sua enorme importância, mas, além da irrigação e da fertirrigação, o cafeicultor deve estar sempre atento aos demais fatores relacionados ao manejo de suas lavouras, devendo para isto solicitar as orientações de profissionais habilitados”, disse.

Por fim, Clayton diz que falar em novos investimentos em momentos de crise na cafeicultura parece estar na contramão da lógica, mas que se enganam os que pensam assim. Ele completa. “Talvez seja este um bom momento para investir, lembrando que algumas instituições financeiras oferecem linhas de crédito com juros baixos em relação à média praticada pelo mercado, com bom período de carência e longo prazo para pagar”, finalizou.

Emater-MG promove treinamento em tecnologias sustentáveis para seus extensionistas na UFLA

outubro 4th, 2013 by equipepec

Treinamento em tecnologias sustentáveis para extensionistas Emater-MG
Por Fabio Alvarenga

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), em parceira com a Embrapa Café e o Consórcio Pesquisa Café, iniciou na última segunda-feira (30) a segunda fase do treinamento em tecnologias sustentáveis para extensionistas na Universidade Federal de Lavras (UFLA). O curso é direcionado a 146 técnicos da empresa que trabalham nas quatro regiões produtoras de café em Minas Gerais e termina nesta sexta-feira (4).

O coordenador técnico estadual de Cafeicultura da Emater-MG, Marcelo Felipe, ressaltou os benefícios que o treinamento em tecnologias sustentáveis trará, abordando os tópicos que acompanham as diversas fases que passam as plantas durante o ciclo de cultivo do café. “Nesta segunda fase do treinamento estamos enfatizando principalmente o uso de defensivos agrícolas, parte ambiental, processamento e colheita. Essa atualização é uma programação que a Emater-MG faz constantemente. Vamos atualizar 232 técnicos de café esse ano”, disse.

As apresentações aos técnicos estão sendo divididas em três módulos distintos, com o mesmo conteúdo, porém com diferentes enfoques, dependendo da área de atuação de cada um. Ao todo, foram ministradas 10 palestras que abordaram os diversos aspectos técnicos e econômicos da cafeicultura na atualidade, como irrigação por gotejamento, gestão de propriedades rurais, nutrição do cafeeiro, nematoides, padrão técnico, análise de solos e outras.

Na quarta-feira (2) ocorreu o dia de campo no Setor de Cafeicultura da universidade. Os técnicos assistiram três aulas práticas sobre poda e desbrota do cafeeiro, com o professor da UFLA Rubens José Guimarães, sobre irrigação por gotejamento, com o engenheiro agrônomo e consultor técnico Clayton Grillo Pinto e engenheiro agrícola Renato Antônio da Silva, e sobre o uso e regulagem de equipamentos de pulverização, com o instrutor do SENAR em agrotóxicos, Herodilson Lemos Barbosa.

O técnico da Emater-MG da cidade de Mutum, no Leste de Minas, Mário Teixeira, destacou o que mais gostou da semana de treinamento. “Foi tudo muito interessante, mas principalmente a prática sobre podas com o professor Rubens. Foi especial, muito boa. Está sendo muito proveitoso”, disse.

Na abertura, os técnicos participantes foram recepcionados pelo coordenador técnico estadual de Cafeicultura da Emater-MG, Marcelo Felipe, pelo assessor de Relações Institucionais da UFLA, Antônio Nazareno Guimarães Mendes, pelo gerente executivo do Polo de Excelência do Café, Edinaldo José Abrahão, e pelo gerente regional da Emater-MG lotado em Lavras, Marcos Fabri Júnior.

Trabalho com leveduras realizado na UFLA busca melhoria na qualidade da bebida do café

setembro 30th, 2013 by equipepec

Suzana Reis Evangelista durante a apresentação do seu trabalho no Sinbio na UFLA
Por Fabio Alvarenga e Clayton Grillo Pinto

Com o intuito de obter um café com boas características de bebida, a discente de doutorado da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Suzana Reis Evangelista, desenvolveu um trabalho de pesquisa para avaliar a utilização de microorganismos benéficos para a fermentação (leveduras), selecionados para melhorar a qualidade da bebida do café natural, obtido por via seca. Esse método consiste em processar o café recém colhido sem que ele seja descascado, ou seja, mantendo-se o fruto com todas as suas estruturas até que alcance a umidade ideal para ser guardado em coco e posteriormente ser beneficiado.

Como reconhecimento, o experimento - que foi conduzido no Departamento de Biologia da universidade - venceu o prêmio de melhor trabalho da plenária Café e Biodiversidade, no Simpósio Internacional de Biodiversidade realizado no início do mês na UFLA.

A pesquisa teve a orientação da professora do Departamento de Biologia da UFLA, Rosane Freitas Schwan, que destacou a importância do trabalho realizado. “Iniciativas desse nível tomadas pela pesquisa fazem diferença, mostram que é possível agregar valor ao café e oferecer aos consumidores um produto diferenciado, de qualidade superior e consequentemente com maior valor de mercado” disse a docente.

Já Suzana Reis Evangelista, a autora do trabalho, revelou que o objetivo principal consiste em levar os resultados do experimento ao campo, o que beneficiaria o produtor. “A expectativa é que o trabalho possa trazer benefícios para a cafeicultura brasileira, que possa chegar até o produtor. Com melhor qualidade do café, o mercado responde com melhor preço. A gente espera que o trabalho consiga ajudar os cafeicultores”, disse.

No trabalho foram utilizadas três leveduras retiradas dos próprios frutos de café, das espécies Saccharomyces cerevisiae, Candida parapsilosis e Pichia guilliermondii, que foram pulverizadas sobre frutos cerejas lavados e não lavados, antes que se iniciasse o processo de fermentação, e daí em diante o café foi conduzido em terreiro tomando-se os cuidados para uma boa fermentação/secagem. Uma parte do café não recebeu os tratamentos, para efeito de comparação com as amostras que foram tratadas com as leveduras. É a testemunha ou amostra controle.

Quando o café atingiu 11% de umidade, foram colhidas amostras e avaliadas a persistência das leveduras e a produção de ácidos orgânicos e compostos voláteis durante o processo de fermentação/secagem. Depois de beneficiado, torrado e moído, o café foi submetido à análise sensorial (teste de xícara) pela metodologia TDS (temporal dominance sensations), técnica que permite avaliar diferenças entre as amostras durante a fase de prova.

Encerrando-se os testes observou-se que as leveduras persistiram até o final do processo e competiram com bactérias e fungos que prejudicam a bebida do café. Nas amostras tratadas não houve a produção de ácidos propiónicos e butíricos (maléficos), em concentrações capazes de afetar a qualidade da bebida.

O café submetido aos tratamentos com leveduras apresentou sabor agradável e mais acentuado em relação ao café não tratado, indicando aumento na qualidade sensorial. Nas amostras que não foram lavadas depois de colhidas, essas sensações não foram tão agradáveis em relação aos frutos que foram lavados, sugerindo que a lavagem dos frutos antes de seguirem para a fermentação/secagem influencia positivamente a qualidade da bebida.

Houve também diferenças no efeito das leveduras. Os sabores de caramelo e de ervas foram mais evidentes nas amostras lavadas e tratadas com Candida parapsilosis, enquanto que nas amostras não lavadas observou-se melhor efeito na bebida com Saccharomyces cerevisiae.

Esse tipo de estudo é importante porque a cafeicultura, especialmente o setor produtivo, passa por um momento difícil em função dos baixos preços da saca de café praticados no mercado. Diante desta situação, todos os recursos ao alcance do produtor e de setores ligados à cadeia do agronegócio café devem ser utilizados objetivando atenuar os impactos negativos da crise, e frente a este contexto a qualidade da bebida do café vem sendo valorizada. Sabe-se que um produto com bebida superior vale mais em relação a outro com bebida inferior, mesmo que ambos tenham a mesma classificação quanto ao tipo.

O projeto teve aporte financeiro do CNPq, FAPEMIG e CAPES, entidades de fomento à pesquisa científica.

Agrichem, empresa parceira do INCT Café, demonstra interesse em fazer parte do Lavrastec

setembro 25th, 2013 by equipepec

Visita ao canteiro de obras do Lavrastec (Foto: UFLA)

Com intuito de consolidar o Parque Científico e Tecnológico de Lavras – Lavrastec, a Universidade Federal de Lavras (UFLA) busca atrair grandes empresas, como forma de motivar o desenvolvimento de inovações que venham contribuir com o crescimento de Minas Gerais. A primeira empresa que demonstrou interesse em fazer parte do Parque é a Agrichem, do ramo de fertilizantes líquidos.

De acordo com o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Café, Mário Lúcio Vilela de Resende, a empresa é parceira desde o início do INCT Café e apoia eventos relacionados à cafeicultura. “A Agrichem tem apoiado os eventos do Núcleo de Estudos em Fitopatologia (Nefit) e do Núcleo de Estudos em Cafeicultura (Necaf). Tem sido parceira no sentido de apoiar os eventos de café da universidade”, explicou.

O interesse foi confirmado em uma reunião na última semana na UFLA, com a presença do diretor-presidente, Gilmar Chbâne Bosso; diretor industrial, Gilberto Pozzan e do diretor-técnico, Luis Yabase. Depois de uma reunião técnica para apresentação do projeto, os representantes da empresa visitaram o canteiro de obras do Lavrastec.

A visita foi acompanhada pelo reitor, professor José Roberto Scolforo; vice-reitora, professora Édila Vilela de Resende Von Pinho; pró-reitor de Pesquisa, professor José Maria de Lima; assessor de Inovação e Empreendedorismo da UFLA, professor Wilson Magela e o professor da UFLA e empreendedor da Inbatec, Mário Lúcio Vilela de Resende.

Segundo o diretor-presidente da Agrichem, a ideia é participar do Lavrastec com o novo desafio da empresa, o AgrichemTec, centro de pesquisa para a busca de tecnologias e soluções inovadoras para o manejo de solos. “Nada melhor do que se associar a um projeto inovador como o apresentado pelo Lavrastec”, reforçou Gilmar Bosso, destacando que a empresa respira inovação e está confiante com a parceria com a Universidade.

Para o reitor Scolforo, a busca por parcerias é um dos temas prioritários do Lavrastec. Ele apresentou uma série de fatores positivos da Universidade, entre eles, a aquisição de equipamentos, reestruturação e criação de novos laboratórios multiusuários, a expansão dos cursos de graduação e o fortalecimento da pós-graduação, os programas de incentivo à inovação e o plano de internacionalização. Scolforo ressaltou a importância da existência de empresas âncoras, em especial no que tange à retenção de mão de obra qualificada, o fortalecimento e visibilidade institucional e o consequente desenvolvimento da região.

Durante a apresentação, o professor Wilson Magela explicitou indicadores acadêmicos que amparam os projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Universidade, bem como a força das parcerias institucionais, a capacidade de captação de recursos e a experiência na atração de empresas e relação com o mercado.

Estabelecida no Brasil desde 2000, a Agrichem do Brasil abriu as portas de sua fábrica em Ribeirão Preto (SP) em 2007, com a produção de insumos agrícolas para o manejo do solo das principais culturas do mercado brasileiro, como soja, milho, trigo, algodão, café, hortaliças, flores, frutas, arroz, feijão, cana-de-açúcar e pastagem.

X Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais 2013: prazo para entrega das amostras termina na próxima sexta-feira

setembro 17th, 2013 by equipepec

Por Fabio Alvarenga

Com intuito de contribuir para melhoria da qualidade de vida do cafeicultor, promovendo agregação de valor e distribuição de renda, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) promoverá em 2013 o X Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais. Os interessados ainda podem participar. A entrega das amostras pode ser feita até o dia 20 de setembro em qualquer escritório da Emater-MG do estado.

O concurso vai eleger os melhores cafés das quatro regiões cafeeiras (Cerrado, Matas de Minas, Sul de Minas e Chapadas de Minas) nas categorias natural e cereja descascado. Nos meses de setembro, outubro e novembro as amostras inscritas no concurso serão analisadas e julgadas por provadores especializados em cafés especiais.

De acordo com o gerente regional da Emater-MG em Lavras, Marcos Fabri Júnior, além de premiar o melhor café, o concurso também possui caráter educativo, gerando ganhos para o cafeicultor no âmbito de mercado.

“O fundamento principal do concurso é ter um caráter educativo, com vista também no mercado. Nós queremos mostrar para o produtor que o café dele tem potencial para ser vendido como café especial. O nosso interesse é que a qualidade seja um processo contínuo, mostrar para o mercado que determinada região ou município tem características físicas e sensoriais que podem atendê-lo nos blends, no que ele precisa para ofertar para o mundo inteiro”, disse.

Segundo ele, só de deixar de produzir café de bebida rio ou riada e passar a produzir o café de bebida dura, mesmo com o preço baixo, já há um diferencial de R$ 20 ou R$ 30 de lucro por saca. “Tem produtores que participam de concursos que fazem a catação pra ter ideia do que ele está mandando. Por isso, existe produtor que possui 60% de café especial e não sabe. O concurso vem para ensinar a produzir e comercializar”, explicou.

Marcos Fabri destacou que todos os cafeicultores que enviarem amostras terão retorno da Emater-MG. As análises serão físicas e sensoriais e no caso das físicas, o mais importante é que será descrito quais foram os defeitos das amostras, permitindo que o participante solucione os problemas nas próximas safras.

Diferentemente dos anos anteriores, a final do concurso será realizada no Salão de Convenções da Universidade Federal de Lavras em data a ser confirmada. Haverá ainda um seminário sobre qualidade do café, o que reforça o caráter educativo da iniciativa.

O Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais é organizado pelo Governo do estado por meio da SEAPA (Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), EMATER- MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais), IF Sul de Minas e pela UFLA (Universidade Federal de Lavras).

Semana Internacional do Café discute em BH os rumos da cafeicultura brasileira e mundial

setembro 11th, 2013 by equipepec

Semana Internacional do Café 2013

Para marcar a Semana Internacional do Café, de 9 a 13 de setembro, a cidade de Belo Horizonte está recebendo 300 delegados da Organização Internacional do Café (OIC), oriundos de 70 países, para reuniões que discutirão os rumos da cafeicultura brasileira e mundial. A iniciativa, realizada no centro de eventos Expominas, ocorre durante o 8º Espaço Café Brasil, uma das maiores feiras do agronegócio café do mundo.

Durante o evento, diversas palestras estão sendo ministradas sobre assuntos relevantes para a cafeicultura. Além das reuniões, dezenas de expositores atraem a atenção do público presente na feira. Ocorrem ainda premiações e rodadas de negócios, com previsão de movimentação de R$ 20 milhões diretamente e R$ 30 milhões indiretamente.

Um dos temas em pauta ao longo da semana foi a crise dos preços do café, que afeta tanto o mercado internacional quanto o doméstico. É o que afirma o diretor-executivo da OIC, Robério Oliveira Silva. “Vamos apresentar números para discutir com todos os países-membros. Os delegados estão discutindo opções para a promoção de mercado e projetos de desenvolvimento cafeeiro”, explica.

Segundo o diretor-executivo da OIC, o baixo preço do café ocorre devido ao “excesso de capacidade produtiva”, mas disse que o mercado mundial do grão se caracteriza por um “alto grau de volatilidade e por imperfeições e assimetrias”.

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, ressaltou que o Brasil é o maior produtor e exportador de café, bem como Minas Gerais é o maior produtor exportador do país. “Além de seu papel na formação econômica nacional, a cultura cafeeira contribuiu para a evolução do mercado de trabalho no país. Seu papel socioeconômico é inegável. A cada três cafés brasileiros degustados mundo afora, dois foram produzidos em uma das 104 mil propriedades cafeicultoras do Estado”, enfatizou.

Na segunda-feira (9), após a abertura da Semana e o início do seminário DNA Café 2013, o professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Flávio Meira Borém, lançou seu livro “Handbook of Coffee Post-Harvest Technology”, versão em inglês do livro “Pós-Colheita do Café” lançado em 2010. Borém também participou da IV Conferência Internacional de Cafés Arábicas Naturais, com a apresentação da palestra “A Ciência por traz da xícara de café”.

O assessor para Relações Institucionais da UFLA, Antônio Nazareno Guimarães Mendes, ministrou uma palestra sobre o perfil que a cafeicultura terá em um futuro próximo. “Cafeicultura da Próxima Década” trouxe indicadores e construiu cenários dos próximos 10 anos.

A Rede Social do Café, da plataforma virtual Peabirus, está realizando o tradicional “Batismo Digital”, que consiste em inserir novos usuários à Rede por meio do cadastramento direto durante o evento. Com a entrada de novos integrantes e ampliação da Rede, acredita-se que deverão surgir novos debates relacionados a temas técnicos e mercadológicos do sistema agroindustrial do café.

A Semana Internacional do Café é promovida pelo governo de Minas Gerais, pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), pela Organização Internacional do Café (OIC) e pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o das Relações Exteriores. A expectativa dos organizadores é que cerca de 12 mil pessoas passem pelo local durante toda a semana.

Palestra “Cafeicultura da próxima Década” do professor da UFLA Antônio Nazareno Guimarães Mendes