Archive for novembro, 2009

O café brasileiro na visão de Mané Alves

quarta-feira, novembro 25th, 2009

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Em visita ao Brasil na semana passada, 19 e 20 de novembro, Mané Alves, reconhecido especialista em cafés especiais e membro do Comitê de Normas Técnicas da Specialty Coffee Association of America (SCAA), ministrou curso de torra para cafés especiais a uma turma seleta de juízes brasileiros. O curso foi realizado no Polo de Tecnologia em Qualidade do Café, na Universidade Federal de Lavras (Ufla). A realização do curso foi iniciativa do professor Flávio Meira Borém, referência em qualidade de café e do especialista em cafés especiais da Embracoffee, Messias Lima         Ribeiro e contou com o patrocínio do programa Nucoffe, da Syngenta.

O trabalho de Mané Alves na SCAA focaliza o estabelecimento de normas para as indústrias de café, visando tornar mais técnica a classificação de café que tem forte cunho sensorial. A ideia é fazer com que os países produtores e países consumidores falem a mesma língua quanto à classificação sensorial de café.

Português de origem e americano por opção, Mané Alves é conhecido no Brasil por ser o instrutor do curso “SCAA Cupping Judge”, de formação e de especialização de juízes credenciados pela associação americana. Também é proprietário da Coffee Lab International, empresa especializada em degustação de cafés especiais que garimpa os melhores cafés em todo o mundo.

Aproveitando a primeira visita de Mané Alves à Ufla, o Polo de Excelência do Café (PEC/Café) tentou capturar a imagem do café brasileiro no mercado americano, sobre as conquistas, dicas para potencializar nossa qualidade e como conquistar novos canais de comercialização.

 

Veja os pontos principais levantados por um dos maiores provadores de cafés especiais do mundo, que acompanha a trajetória brasileira há 18 anos:

 

PEC/Café: Nós brasileiros orgulhamos da evolução do nosso café quanto à qualidade, esta melhoria é percebida lá fora?

Mané Alves: Até cinco anos atrás o café brasileiro tinha uma imagem ruim quanto à qualidade. Esta imagem continua junto ao consumidor americano, mas o que importa é a transformação desta imagem junto ao torrefador americano, que melhorou muito nos últimos anos. Eles sabem que o Brasil tem cafés de qualidade superior. O problema é que muitos não compram este café por causa do preço. Eles usam o café do Brasil para formar um blend, mas não destacado como origem única. Infelizmente o café brasileiro que é comprado pelos Estados Unidos não é o café de melhor qualidade. Isto porque o processo de torra utilizado nos EUA permite o uso de um café que não seja de qualidade superior, de modo que seja extraído o máximo de seu potencial.

 

PEC/Café: Então a tecnologia de torra também passa a ser um concorrente?

Mané Alves: Sim, e isto é possível por que existem técnicas de torra e moagem adequadas que conseguem retirar do café o seu melhor. O ideal seria que fosse comprado o melhor café do Brasil e fazer uma torra perfeita para este café. Sem truques. Hoje o preço é o fator mais limitante para isto, sobretudo pela valorização do real frente ao dólar.

 

PEC/Café: Assim, qual seria a melhor estratégia para o Brasil conquistar este mercado de cafés especiais?

Mané Alves: Já existem muitas coisas interessantes, como os concursos de qualidade e cursos de treinamento. Porém, o mais importante é ter provadores capacitados para atestar esta qualidade diferenciada. É preciso aumentar o número de juízes credenciados internacionalmente, com parâmetros de calibração com cafés produzidos em outros países. Isto porque o provador brasileiro só prova o café do Brasil e ficando sem parâmetros de comparação. Hoje são cerca de 50 juízes brasileiros credenciados pela SCAA. Este número é pequeno quando se trata do maior produtor de café do mundo. Em breve, nós iremos trazer ao Brasil alguns juízes SCAA para visitarem as principais zonas produtoras para identificação de qualidades diferenciadas. Este é um trabalho importante para os países produtores.  

 

PEC/Café: Você acha que existem cafés excepcionais vendidos como comum?

Mané Alves: Acredito que tenha muito café excepcional sendo vendido misturado aos cafés commodities. O produtor deve separar o seu melhor café, nem que sejam apenas 10 sacas. O Brasil deve descobrir onde estão os seus melhores cafés, que deve estar aliado ao quesito de raridade que é fundamental no segmento de “specialty”.

 

PEC/Café: Se no futebol nossa briga é com a Argentina, em café nosso concorrente é a Colômbia. Como é a visão do mercado americano sobre estes dois países?

Mané Alves: São completamente diferentes. A diferença é que a Colômbia gasta cerca de 15 milhões de dólares anualmente para o marketing do café colombiano nos Estados Unidos. Para o consumidor americano, ele é o melhor café do mundo. A Colômbia tem propaganda e tem qualidade. O Brasil tem qualidade, mas não investe 15 milhões por ano para melhorar a sua imagem. Mas existe uma diferença entre o que o consumidor final pensa e o que o torrefador pensa. Entre as torrefadoras há lugar para os dois tipos de café. Neste setor a mudança já aconteceu.

 

PEC/Café: Os concursos de qualidade servem como uma vitrine?

Mané Alves: Sim, mas são um pouco frustrantes do ponto de vista do produtor. Isto porque em um ano você pode ter uma qualidade excepcional, mas não se repetir nos próximos anos.

 

PEC/Café: Quais seriam os passos para se alcançar um café de qualidade excepcional pela metodologia SCAA?

Mané Alves: O primeiro passo seria separar a safra por variedades. Depois separar “talhão”, sobretudo de altitudes diferentes. Não se pode misturar café a 1200 metros com cafés cultivados a 900 metros. Este café também deve ser provado na fazenda, de preferência, amostra “cega”. Mas este trabalho deve ser feito todos os anos, pois traz uma representação gráfica específica daquelas condições. Este ano, por exemplo, a amostra sensorial não seria representativa devido ao volume de chuvas. Ao invés do produtor identificar o café de melhor qualidade de sua propriedade e fazer as combinações certas, ele está preocupado com a variedade que vai produzir mais. Assim, se ele focalizar a quantidade vai ter um café commodity. Nada contra, pois existe um mercado para este tipo de café. Existe também um fator muito importante que é a sorte. Quer dizer, produzir em uma região adequada, receber a quantidade de água correta, ter boa altitude. 

 

PEC/Café: Minas Gerais é um Estado privilegiado?

Mané Alves: Minas Gerais tem muitas regiões de qualidade. Mas lá fora este café na maioria das vezes chega apenas como café do Brasil (qualidade Santos). Quando falamos de zonas demarcadas, como Sul de Minas ou Cerrado, são canais de comercialização específicos que já conhecem a qualidade de determinada região. 

 

PEC/Café: Que café Mané Alves toma?

Mané Alves: Depende do período do dia. Pela manhã, sempre tomo um esspresso e, assim, certamente terá de 50 a 60% de café do Brasil. Na parte da tarde tomo café de filtro e, neste segmento, existe apenas uma marca de café do Brasil, com variações de região. No ano passado este café era do Cerrado de Minas, mas varia de ano para ano.

 

PEC/Café: A indústria americana é sensível à certificação?

Mané Alves: Se estamos falando das cinco grandes companhias dos Estados Unidos, eles têm cafés certificados, principalmente Fair Trade e Rainforest. O consumidor identifica apenas como o símbolo preto e branco (Fair Trade) ou da ranzinha (Rainforest). Para mim a certificação mais importante é a orgânica. O consumidor americano está cada vez mais preocupado com a alimentação. Neste ponto, acredito que o café orgânico tenha muito potencial de crescimento.         

 

 Mané Alves ministra curso para juizes SCAA na Universidade Federal de Lavras

 

Polo de Excelência do Café

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Qualidade do Café de Minas é confirmada em concurso nacional

terça-feira, novembro 24th, 2009

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Os cafés premiados em concursos estaduais passaram por mais uma prova de qualidade durante o 6º Concurso Nacional Abic de Qualidade do Café, realizado no dia 21 de novembro, durante o 17º Encontro Nacional das Indústrias dos Cafés (Encafé), em Salvador, na Bahia. O vencedor do VI Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais confirmou sua excelência como grande vencedor do concurso nacional, na categoria cereja descascado, sendo arrematado em leilão pelo valor de R$ 3001,00 a saca de 60 quilos.

O vencedor foi Luiz Carlos Garcia, da Fazenda Santa Amália, em Machado, no Sul de Minas. O café foi arrematado pelo Consórcio Viva Brasil, em uma articulação das empresas Café Baronesa, Café Cajubá, Café Astória Real e Café Damasco. No VI Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais este café recebeu o lance máximo do leilão, sendo vendido para um consórcio de empresas participantes ao valor de R$ 2.500,00.

O café campeão é aquele que obteve o maior valor no leilão, cujos lances compõem o ranking por categoria. Minas também ficou bem classificado na categoria natural, com a quarta colocação entre os 10 melhores do país. O produtor familiar do município de Monte Santo de Minas, Carlos Roberto Medeiros, confirmou a qualidade do seu café, que foi adquirido pelo Café Bom Dia, a R$ 443,00 a saca. Em uma área de apenas 10 hectares, o produtor terá novo ânimo para se manter na atividade, seguindo os cuidados na colheita e pós-colheita que tornaram seu produto diferenciado. No VI Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, o café de Medeiros foi vendido a R$ 2.200,00 a saca.

“O concurso Nacional da Abic de Qualidade de Café reúne os campeões de qualidade de todos os Estados, sendo uma grande vitrine para divulgação de cafés especiais, com altíssimo nível de disputa”, comenta o assessor especial de Café da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Bernardino Cangussu. Ele reforça a relevância deste prêmio para Minas Gerais devido a importância da cafeicultura para o Estado, maior produtor e exportador de cafés do Brasil.

Na categoria café natural, o Paraná foi consagrado com a primeira colocação, com a cafeicultora Olívia Aparecido Faustinoni da Silva, da Chácara Primavera, município de Mandaguari. Na categoria Cereja Descascado, o Paraná também se destacou com a classificação em 3º lugar do cafeicultor Tumoru Sera, do Sítio Serrinha 2, município de Congonhinhas. Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) na área de melhoramento e genética vegetal Tumoru Sera foi o vencedor do Concurso Estadual do Paraná na categoria Cereja Descascado, com a cultivar IAPAR 59, que ele mesmo desenvolveu.  

Os cafés adquiridos no leilão formarão a Edição Especial dos Melhores Cafés do Brasil, que receberão um selo especial numerado. O lançamento da 6ª Edição Especial será em abril de 2010, em cerimônia comemorativa, quando será anunciada a propriedade que receberá o Prêmio Destaque ABIC de Sustentabilidade dos Cafés do Brasil.  

Polo de Excelência do Café

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Clones de café arábica em escala comercial estarão disponíveis em 2010

segunda-feira, novembro 23rd, 2009

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A espécie Coffea arabica é comercialmente propagada por sementes. Mas esta realidade poderá ser diferente a partir do próximo ano (2010), quando deverão ser distribuídas as primeiras mudas clonais de café arábica produzidas em larga escala em uma biofábrica-piloto via embriogênese somática. O objetivo inicial é a validação da tecnologia e a avaliação do comportamento dos clones junto a produtores rurais de várias cooperativas do estado de Minas Gerais.

A iniciativa de levar os clones para o campo em escala comercial é da Fundação Procafé, Embrapa Café e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), por intermédio da Secretaria de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (Sectes). A Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), por demanda levantada pelo Polo de Excelência do Café (PEC/Café), é uma das instituições que apóiam financeiramente o projeto, além da Fundação Procafé, Cnpq e Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café).

A Fundação Procafé, atenta às vantagens da propagação vegetativa, vem há 12 anos selecionando plantas matrizes com características de grande interesse agronômico. São plantas matrizes com resistência ao bicho-mineiro e à ferrugem, boa qualidade de bebida e alta produtividade.

De acordo com Carlos Henrique Carvalho, pesquisador da Embrapa Café que atua na Fundação Procafé, o desenvolvimento de cultivares de Coffea arabica é um processo longo, que normalmente demanda cerca de 30 anos até que uma nova cultivar chegue ao campo. Este tempo pode ser reduzido para cerca de 10 anos com a seleção de plantas matrizes e produção de mudas clonais via embriogênese somática. Esta técnica é considerada a mais adequada alternativa para a multiplicação de plantas híbridas em larga escala. A produção de mudas clonais em pequena escala para avaliação experimental de plantas matrizes já é uma tecnologia dominada pelas instituições participantes do projeto.

Carvalho aponta alguns benefícios da propagação vegetativa, como a possibilidade de produzir mudas de plantas matrizes com características de grande interesse e que dificilmente seriam reunidas em uma cultivar propagada por sementes, como por exemplo, resistência ao bicho-mineiro e à ferrugem, boa qualidade de bebida e alta produtividade. Vale ressaltar que a resistência  incorporada neste material evitaria o controle químico da ferrugem e do bicho-mineiro, que oneram o custo de produção e representam risco à saúde e ao meio ambiente.

Vantagem competitiva

O programa de melhoramento genético da Fundação Procafé trabalha para o desenvolvimento de cultivares que aliem resistências, qualidade superior de bebida e elevada produtividade. Porém, a fixação destas características tem sido difícil, existindo ainda grande segregação para resistência ao bicho-mineiro e a produtividade pouco uniforme. Para que este material chegue ao mercado pelo método tradicional, estima-se um prazo de 10 a 15 anos. Neste sentido, a produção de cultivares clonais a partir de plantas superiores já selecionadas dentro desta população permitirá a liberação comercial em um curto espaço de tempo.

Em caráter experimental, a propagação por embriogênese somática já foi testada com sucesso para a multiplicação de híbridos F1 em alguns países da América Central. Plantas obtidas por este processo apresentam comportamento semelhante ao de plantas oriundas de sementes, não havendo limitação para a sua utilização.

Na Fundação Procafé, atualmente são conduzidos vários experimentos que avaliam o comportamento de clones e que no decorrer do projeto serão utilizados para coleta de informações e demonstração aos produtores em dias-de-campo. As primeiras mudas em escala comercial deverão estar disponíveis em 2010.    

Polo de Excelência do Café

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Programa Certifica Minas Café

quarta-feira, novembro 18th, 2009
http://www.vimeo.com/7693417

Ufla lança sistema aberto de gerenciamento de custos de produção - AgroCustos

quarta-feira, novembro 18th, 2009

O Centro de Inteligência em Mercados (CIM), da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em parceria com o Polo de Excelência do Café (PEC), acaba de lançar o Sistema de Gerenciamento de Custos de Produção – AgroCustos. Fundamentado em lógica contábil e gerencial, o sistema contribui para o planejamento e o gerenciamento de propriedades rurais por meio de mecanismos simples e amigáveis. O sistema poderá ser utilizado de forma gratuita.

Segundo o coordenador do CIM e idealizador do programa, professor Luiz Gonzaga de Castro Júnior, a estrutura do programa visa a tornar o cálculo de indicadores técnicos e de custos mais rápido e eficiente. O sistema inova ao oferecer facilidades de inserção de dados, e de gerar relatórios de qualidade e de fácil compreensão. 

Outro diferencial é que o sistema foi desenvolvido para uso via Internet, ou seja, não existe a necessidade de instalar nenhum programa no computador, facilitando a sua utilização por um maior número de produtores. Além disso, a ferramenta exige apenas o conhecimento básico de informática, sendo apresentado de forma simples, em quatro telas de visualização: cadastro, centro de custos, ordem de serviço e relatórios.  

Poderão ser cadastrados os setores, glebas, mão de obra contratada, insumos, máquinas automotoras, máquinas implementos, benfeitorias, veículos, operação/serviço e produção. Na sessão “Centro de Custos” deverão ser lançados os gastos destinados ao custeio do processo produtivo. As depreciações já são calculadas pelo sistema por meio dos dados inseridos durante o cadastramento. Além de gastos em dinheiro, alguns desses centros de custos podem consumir serviços de Mão de Obra Contratada e de Máquinas Automotoras, como por exemplo, na manutenção de um Armazém.

Na sessão “Ordem de Serviços” serão lançados os custos diretos do processo produtivo. Um dos benefícios desta ferramenta é que por meio dos indicadores gerados tem-se uma avaliação de quais “Glebas” colaboram com a geração de lucros e aquelas que geram prejuízos, favorecendo à tomada de decisão.

O link para acessar o programa está no portal CIM, basta clicar http://agrocim.com.br/AgroCustos/login.php e fazer um cadastro. A partir daí o sistema já estará completamente disponível. O cafeicultor passa a ter em mãos uma ferramenta de fácil acessibilidade, sem custos, que o auxiliará na avaliação e tomada de decisão para o fortalecimento da atividade.

 

 

Epamig Sul de Minas debate inovação tecnológica e redes sociais

sexta-feira, novembro 13th, 2009

As estratégias de integração e comunicação do Polo de Excelência do Café (PEC/Café) foi um dos temas apresentados no seminário interno realizado no anfiteatro da Unidade Regional Epamig Sul de Minas, em Lavras, nesta quarta-feira (11), para pesquisadores, gerentes de fazendas experimentais e profissionais da área de comunicação. O evento, coordenado pelo Comitê Gerencial de Pesquisa da Unidade, teve como objetivo ressaltar a importância da inovação no âmbito dos institutos de pesquisa, bem como as perspectivas para a pesquisa agropecuária. 

 

De acordo com chefe de pesquisa da Unidade Regional Epamig Sul de Minas, Gladyston Rodrigues Carvalho, estes encontros demonstram uma nova visão estratégica da Epamig, que está atenta ao contexto de transformação vivenciado pela pesquisa, com foco na integração de competências e transformação do conhecimento em inovação tecnológica.

 

De acordo com a apresentação do pesquisador Adalto Ferreira Barcelos, a visão da ciência voltada para a inovação poderia ampliar a participação de projetos da Epamig em editais da Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). Hoje, a maioria dos editais demonstra a ascendência de destinação de recursos à pesquisa aplicada.

 

Inovação e perspectivas

Os participantes do seminário tiveram a oportunidade de conhecer as diretrizes da Lei de Inovação (Lei n° 10.973/2004) e ações do Núcleo de Inovação Tecnológica da Universidade Federal de Lavras (Nintec-Ufla), com a explanação do professor e coordenador de propriedade intelectual, Wilson Magela Gonçalves. Segundo ele, a inovação tecnológica no ambiente institucional da pesquisa agropecuária revela mudanças importantes, como o incentivo legal para que o conhecimento gerado não fique restrito à academia, mas que seja incorporado em produtos e serviços desenvolvidos em Empresas de Base Tecnológica de Origem Acadêmica (EBTOA).

 

Para Magela, a proteção por meio de patentes favorece a transferência de tecnologia, completando o ciclo do conhecimento, da pesquisa à sua aplicação. No entanto, as mudanças incorporadas pela Lei de Inovação exigem também uma mudança institucional. Isto porque nas décadas de 60 e 70 o foco estava na ciência básica, a década de 80 priorizou-se o desenvolvimento de tecnologias e remodelação da pesquisa brasileira com a criação da Embrapa e, no final da década de 90, ênfase passa a ser dada à inovação. Esta mudança revela ainda o desafio de mudar a perspectiva brasileira de produção de commodities para o investimento em produtos de alto valor agregado. “Para isto, além da pesquisa científica, caberá aos pesquisadores a incorporação de uma nova mentalidade empreendedora”, destaca Magela.

 

Compartilhando desta visão de interação entre competências e instituições, a Unidade Regional da Epamig Sul de Minas tem incentivado os pesquisadores a participarem de redes sociais. Neste sentido, Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), apresentou um tutorial sobre as ferramentas WEB 2.0, com orientações de como postar arquivos, fotos e vídeos em redes sociais de referência em cafeicultura, como é o caso da Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira, no Peabirus.

TVU: Final do VI Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais

sexta-feira, novembro 13th, 2009
Imagem de Amostra do You Tube

Conheça os 10 melhores cafés de Minas

quinta-feira, novembro 5th, 2009

Os 10 vencedores do VI Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais tiveram os lotes vendidos em leilão, nesta quinta-feira (5), em cerimônia de premiação realizada na Universidade Federal de Lavras (Ufla). O encerramento do concurso contou com as presenças do secretario de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Gilman Viana, do reitor da Ufla, Antônio Nazareno Mendes e do deputado federal, Silas Brasileiro. Os 66 finalistas, familiares, técnicos da Emater e demais profissionais ligados ao sistema agroindustrial do café lotaram o salão de convenções da Universidade.

O Concurso de Qualidade Cafés de Minas faz parte do programa estruturador Certifica Minas Café, do Governo de Minas, por meio da Seapa, Emater/MG e Ufla. O Polo de Excelência do Café é uma das instituições que compõe a comissão organizadora do concurso.

O melhor café da categoria natural é da região Sul de Minas, do município de Monte Santo de Minas, de propriedade de Carlos Roberto Medeiros. Com uma área de café de 10 hectares e produção familiar, o vencedor diz seguir a risca às práticas recomendadas de colheita e pós-colheita. O lote de 15 sacas recebeu a pontuação 85.833 na escala BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), sendo vendido a R$ 2.200,00, cada saca, isto é, um prêmio de R$ 1.920,00 sobre o valor de referência do café comum no mercado. De acordo com Medeiros, o segredo para obter a qualidade premiada está no suor e no amor à cafeicultura.  

O campeão da categoria cereja descascado é do município de Machado, também Sul de Minas, propriedade de Luiz Carlos Garcia. Com cuidados especiais de secagem e beneficiamento, este café recebeu o lance máximo do leilão, sendo vendido para um consórcio de empresas participantes ao valor de R$ 2.500,00 a saca de café beneficiado de um lote de 30 sacas. Para o produtor, o resultado do concurso serve como reconhecimento para o trabalho dedicado à obtenção de cafés especiais, conseguido especialmente pela motivação dos trabalhadores que participam de todo o processo produtivo.  

Sete empresas participaram do leilão dos cafés vencedores, além do Sindicato da Indústria do Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG) representado pelo presidente Almir José da Silva Filho. Todos os lotes tiveram lance mínimo de R$ 380,00 e foram arrematados pelo preço mínimo de R$ 400,00. Veja abaixo a lista com os compradores e os valores pagos por cada lote de café.   

 

De acordo com o coordenador estadual do concurso, Marcos Fabri Júnior, o concurso representa a integração dos setores do sistema agroindustrial do café, sobretudo, entre governo, produção e mercado, para que cada elo seja fortalecido. Representando uma vitrine dos melhores cafés de Minas, o concurso teve a participação de 146 municípios, sendo 70% das amostras provenientes do Sul de Minas, 16% do Cerrado, 12% das Matas de Minas e 2% das Chapadas de Minas.

Para o secretário Gilman Viana Rodrigues, o concurso de qualidade é uma provocação aos produtores mineiros para buscarem ser cada vez melhores. “Estará em vantagem quem estiver disposto a aprender. Não há resultado sem esforço, sem o conhecimento”, destaca.  

Durante as quatro etapas de classificação do Concurso, as amostras foram avaliadas por 24 juízes certificados pela BSCA e Specialty Coffee Association of America (SCCA). A comissão julgadora foi presidida pelo juiz Jorge José Menezes, com a participação dos doutores em qualidade do café, Rosimary Gualberto Pereira (Ufla) e Leandro Carlos Paiva (Instituto Federal – Machado).  

Além da premiação pela qualidade, dois produtores receberam o troféu destaque em sustentabilidade. José Roberto Canato, de Carmo de Minas, recebeu a homenagem na categoria natural. Na categoria cereja descascado o homenageado foi Ralpf de Castro Junqueira, de Carmo de Minas. Os dois produtores são certificados pelo programa Certifica Minas Café.

Festival gastronômico

Uma mesa farta de “delícias do café” marcou a cerimônia de encerramento da sexta edição do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais. Os quitutes a base de café foram avaliados por um júri e premiados os três melhores doces e as três melhores bebidas. Dircelene de Melo (Divisa Nova), Célia Almeida Miranda (Muzambinho) e Beatriz Silvério (Santa Rita do Sapucaí) foram as vencedoras na categoria “bebidas de café”. Na categoria “doces”, as premiadas foram: Edna Maria dos Santos (Alfenas), Vera Lúcia Soares (Santa Rita do Sapucaí) e Maria Oliveira (Carmo do Rio Claro).