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Cerca de 200 profissionais ligados ao sistema agroindustrial do café, que compõem os cinco GTEC’s/Café (Grupos Técnicos de Cafeicultura - Syngenta), apresentaram suas percepções sobre o quadro atual da cafeicultura e suas perspectivas para a próxima safra, em reunião em Ribeirão Preto (SP), entre os dias 02 e 04 de dezembro. Pesquisadores, consultores e profissionais ligados às cooperativas de cafeicultores das principais regiões produtoras (Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Bahia) apresentaram informações sobre a situação das lavouras, o impacto das floradas, problemas climáticos e fitossanitários, expectativa de novos plantios e renovação das lavouras, percentual de podas e expectativas para a próxima safra (investimentos, produção, comercialização).
De modo geral, todas as regiões apresentaram problemas com o excesso de chuvas no período da colheita, com atrasos e depreciação da qualidade final do produto. Em todas as regiões os profissionais ressaltaram alta infestação de broca e expansão precoce da ferrugem, o que exigirá maior atenção e investimento dos cafeicultores. Para Marcos Dutra (Desenvolvimento Técnico de Mercado - Syngenta), as perspectivas são apresentadas por representantes dos principais Estados produtores e traçam um quadro ilustrativo da cafeicultura brasileira.
Alta Paulista e Sorocabana
Os profissionais das regiões Alta Paulista e Sorocabana (Estado de São Paulo) avaliam que as lavouras apresentam bom aspecto nutricional, embora não apresente o vigor de anos anteriores, sobretudo, em decorrência de um menor nível de adubação em 2008. Até o início de dezembro já haviam sido registradas seis floradas, que foram satisfatórias especialmente em lavouras novas ou podadas. Além da alta incidência de broca e ferrugem, a região deverá sofrer ainda com a cercosporiose e mancha aureolada. Estima-se para esta região o plantio de 2 milhões de mudas, especialmente para renovação de lavouras, exceto na região de Piraju (Sudoeste de São Paulo) onde deverá haver expansão da área plantada. Em 2009, estima-se que entre 15 a 20% das lavouras tenham sido podadas (tipo decote). Para a safra 2009/10, a previsão é que sejam colhidas em torno de 1.250.000 sacas. Nos últimos cinco anos, esta região tem se destacado para os investimentos em mecanização da colheita e irrigação, com aproximadamente quatro mil hectares irrigados com o sistema de gotejamento, resultando em produtividades médias de 50 sc/ha).
Cerrado Mineiro
Na avaliação dos profissionais do Cerrado Mineiro, as lavouras estão em bom estado nutricional, especialmente lavouras novas e com fertirrigação, que também apresentam melhor pegamento das floradas. Na região, a queda antecipada de frutos tem preocupado os cafeicultores. Além da ferrugem e broca acima do normal, outros motivos de preocupação são o bicho-mineiro, mancha anular, cercosporiose e, em regiões de maior altitude, pseudomonas e phoma. Estima-se que sejam plantadas 12 milhões de mudas, 80% delas para renovação das lavouras. Para a safra 2009/10, na área de 160 mil hectares, deverão ser colhidas entre 4,5 a 5 milhões de sacas, com produtividade média de 28 a 31 sc/ha. Quanto aos investimentos para a próxima safra, ressalta-se a necessidade de mecanização da colheita, com foco na redução de mão de obra. Técnicos e consultores da região estimam que a maior parte dos produtores utiliza-se de algum programa de troca ou venda futura de café, sendo que 30% da safra futura já pode ter sido comercializada.
Matas de Minas
Para os representantes desta região (engloba Zona da Mata Mineira, ES e RJ), as lavouras apresentam estado nutricional regular, devido, sobretudo, ao baixo nível de adubação no período anterior a safra. As floradas antecipadas (julho/agosto) deverão repercutir em uma colheita com maturação bastante desuniforme. Em lavouras mais velhas, percebe-se também baixo pegamento das floradas. Até meados de novembro, a precipitação (em torno de 1300 mm) foi 25% superior a média dos últimos 20 anos. Estima-se para esta região um plantio em torno de 20 milhões de mudas, sendo 10 milhões do programa de renovação do governo do Espírito Santo. A estimativa para a próxima safra, incluindo todas as regiões produtoras de referência é em torno de 8 milhões de sacas, sendo 5,3 milhões (Matas de Minas), 2,5 milhões (arábica do Espírito Santo) e 290 mil sacas no Estado do Rio de Janeiro. Diferente do Cerrado Mineiro, os profissionais avaliam que apenas 5% dos cafeicultores destas regiões façam algum tipo de troca ou venda futura da safra, sendo que 15 a 20% da safra pode já ter sido comercializada.
Sul de Minas
De acordo com os representantes do Sul de Minas, as chuvas de outubro favoreceram a brotação do café, embora haja sintomas de deficiências nutricionais, principalmente nitrogênio, zinco, magnésio, boro e manganês. Eles ressaltam que as adubações foram insuficientes em função da carga colhida nesta safra. Comparado ao ano passado, a fertilização deste ano ainda apresentou redução em torno de 25%. As floradas irregulares (quatro até dezembro) também deverão repercutir em baixa uniformização no desenvolvimento e pegamento, podendo causar possivelmente maior queda de chumbinhos em Dezembro/Janeiro. Estima-se entre 15 -20% do parque cafeeiro, algo em torno de 120 mil hectares, sofreram algum tipo de poda (recepa ou esqueletamento). Quanto aos novos plantios, entre 2008 e 2009, devem ser totalizados cerca de 18 milhões de mudas de café, sobretudo, para renovação das lavouras.
Além da ferrugem e alta incidência de broca, as lavouras apresentam maior ocorrência de cigarras e alto índice de bactérias (pseudomonas) em locais com ventos frios. Em uma área de 506 mil hectares, estima-se uma colheita em 2010 entre 9,5 a 10 milhões de sacas. Para os representantes desta região, o Sul de Minas não deverá repetir a média dos anos de alta produção que é entre 11 e 12 milhões de sacas, contribuem para esta avaliação, especialmente, os municípios de Três Pontas, Campo do Meio, Campos Gerais e Nepomuceno. Estes profissionais avaliam que entre 20 a 30% dos cafeicultores do Sul de Minas façam algum tipo de troca ou venda futura da safra, sendo que cerca de 50% da safra deve ter sido comercializada.
Visão das cooperativas
As cooperativas de cafeicultores de Minas e São Paulo fizeram uma avaliação do parque cafeeiro do Sul de Minas e Mogiana. Na opinião destes representantes, o baixo investimento em insumos comprometeu o potencial da safra recém-colhida. No geral, foram seis floradas, com apresentação de frutos em diferentes fases de granação, o que deverá ter resultados negativos na próxima safra. Os técnicos das cooperativas concordam que haja uma maior incidência de doenças, além da dificuldade de controle das plantas daninhas. Para eles, os plantios de novas áreas e de renovação são baixos e inexpressivos.
Gincana do Bem
Além das apresentações com as perspectivas de cada região produtora, o gerente executivo do Polo de Excelência do Café (PEC/Café), Edinaldo José Abrahão (GETEC Sul de Minas) apresentou aos participantes o modelo de incentivo à articulação entre o governo, a pesquisa e o setor empresarial, visando o fortalecimento da cadeia produtiva do café. A apresentação desta proposta inovadora recebeu a segunda colocação na Gincana do Bem, promovida pela Syngenta, que rendeu R$ 2 mil ao Educandário Santa Inês (Alfenas).
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Polo de Excelência do Café


