Na quinta-feira (04), cerca de 50 técnicos da Emater/MG que atuam no Sul de Minas lotaram o anfiteatro do setor de cafeicultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA) para receberem informações sobre os nematóides do cafeeiro. A motivação para esta capacitação partiu do alerta da Epamig para o risco de disseminação do nematóide formador de galhas Meloidogyne paranaensis, uma das espécies de nematóides mais nocivas ao cafeeiro, a partir de focos já identificados no Estado. O encontro de capacitação foi organizado pela Emater e Basf.
A reunião contou com a palestra do professor e nematologista Mário Inomoto, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), que abordou o tema enfatizando os dois principais nematóides do cafeeiro: nematóides de galhas (Meloidogyne sp) e nematóides das lesões (Pratylenchus sp) destacando os sintomas e algumas medidas de controle. O professor Inomoto é editor da revista científica Nematologia Brasileira. Também participaram do debate a pesquisadora da Epamig Sônia Maria de Lima Salgado e o professor da UFLA Vicente Paulo Campos, ambos nematologistas.
Em suas considerações, Sônia Salgado ressaltou aos técnicos da Emater a importância de conhecer os sintomas que auxiliam na identificação da presença de M. paranaensis. A pesquisadora que já apresentou um alerta à Câmara Setorial do Café de Minas Gerais, chamou mais uma vez a atenção para o tema na última reunião da Câmara Técnica de Defesa Agropecuária de Minas Gerais, realizada no dia 24 de fevereiro. Ela aponta para a necessidade de iniciar um programa estadual de cooperação técnica multiinstitucional e multidisciplinar para a contenção da praga. Ela enfatiza a necessidade de estudo para verificar a possibilidade de disseminação do nematóide a partir de focos já localizados, aliado à fiscalização e conscientização dos produtores.
Desde 2003, quando a espécie M. paranaensis foi detectada na região do Alto Paranaíba (Patrocínio) e, em 2004, no Sudoeste do Estado (Piumhi), a cafeicultura deve estar em alerta para o risco de sua disseminação. “O que se percebe é o aumento da sensibilização para a transferência do conhecimento sobre o tema, com a abertura de debates sobre medidas de prevenção e controle”, destaca Sônia Salgado. O nematóide é facilmente disseminado por meio de mudas, circulação de máquinas e implementos com solo infestado e água da chuva.
Na avaliação do coordenador técnico regional da Emater/MG, Marcos Fabri Júnior, a capacitação dos técnicos é uma ação pró-ativa da empresa diante do risco que o nematóide representa. Ele ressaltou que a cafeicultura de Minas, em grande parte de base familiar, já convive com problemas de ordem financeira e, a chegada de nematóides poderia inviabilizar a atividade. “Chega de problemas, sobretudo insolúveis como este”, reforça.
Como identificar
A identificação da presença de nematóides no campo é dificultada pelo parasitismo interno nas raízes das plantas. O produtor deve ficar atento à presença de reboleiras de plantas com sintomas de deficiência mineral e desfolha, mesmo em condições adequadas de adubação, pois podem ser resultado do ataque de nematóides nas raízes. Em caso de suspeita, deve ser realizada amostragem periódica de solo e de raízes para exame em laboratório especializado. Em Minas, esta análise pode ser feita no laboratório do Instituto Mineiro Agropecuário (IMA) e nos laboratórios das Universidades Federais de Lavras, Viçosa e Uberlândia (UFLA, UFV e UFU).
Polo de Excelência do Café

