Archive for abril, 2010

NECAF/UFLA convida para o VII Ciclo de Palestras em Cafeicultura

quinta-feira, abril 29th, 2010

.

 

 

 

                        Polo de Excelência do Café 
http://excelenciacafe.simi.org.br/ 

IFSULDEMINAS realiza VI Semana Tecnológica e II Jornada Científica

quarta-feira, abril 28th, 2010

.

 

 

 

Adiado para o dia 02 de maio (próximo Domingo) o prazo para alunos de instituições federais de ensino técnico e tecnológico e também de escolas privadas e universidades submeterem trabalhos científicos para a II Jornada Científica e Tecnológica, que acontece no dia 19 de maio, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) – Campus Machado. A Jornada faz parte da programação da VI Semana Tecnológica, que acontece de 17 a 21 de maio, com a realização do IF – Machado e Fundação de Apoio ao Desenvolvimento e Ensino de Machado (FADEMA). O evento conta com o apoio da Empresa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) e da EMATER-MG.  

Na programação da VI Semana Tecnológica, os participantes poderão optar dentre 35 cursos sobre variadas áreas do conhecimento. O professor do IF Machado, Leandro Carlos Paiva, ministrará o curso “Noções de Barismo” e “Classificação e Degustação de Café”. Elisângela Ferreira Furtado Paiva, doutora em Ciências dos Alimentos pela UFLA, abordará o tema: “Preparo de Produtos a Base de Café”.  

Jornada Científica

II Jornada Científica e Tecnológica é um evento de âmbito regional e interdisciplinar que tem como objetivo divulgar a produção científica realizada nas instituições de educação profissional e tecnológica, proporcionando um espaço para integração de estudantes, docentes e pesquisadores. O evento está sendo organizado pelo Núcleo Institucional de Pesquisa e Extensão (NIPE) e Coordenadoria de Integração Escola Comunidade (CIEC) do IF - Machado. As inscrições para a apresentarão de trabalhos no formato resumo expandido, para apresentação oral ou pôster, poderão ser feitas na página http://www.mch.ifsuldeminas.edu.br/ . Será exigida a inscrição para assegurar o credenciamento, recebimento dos materiais e o acesso às atividades da programação.  A norma para submissão dos trabalhos pode ser acessada pelo link:  http://www.mch.ifsuldeminas.edu.br/noticias/2010/100324b/edital.pdf

 

 

                        Polo de Excelência do Café 
http://excelenciacafe.simi.org.br/ 

 

AGROCUSTOS da UFLA ultrapassa mil usuários

segunda-feira, abril 26th, 2010

.

 

.

 

 

O Sistema de Gerenciamento de Custos de Produção – AGROCUSTOS, disponibilizado pelo Centro de Inteligência em Mercados (CIM), da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em parceria com o Polo de Excelência do Café (PEC/Café), está em expansão, tendo atingido a marca de 1000 cadastros em apenas seis meses de operação. O sistema, utilizado de forma gratuita, contribui para o planejamento e o gerenciamento de propriedades rurais por meio de mecanismos simples e amigáveis.

Por meio do sistema poderão ser cadastrados os setores, glebas, mão de obra contratada, insumos, máquinas, implementos, benfeitorias, veículos, operação/serviço e produção. O programa calcula os custos e as depreciações automaticamente, além de gerar gráficos e relatórios que favorecem à tomada de decisão.

O coordenador do CIM e idealizador do programa, professor Luiz Gonzaga de Castro Júnior, explica que a forma de credenciamento respeita a política de privacidade do usuário, não sendo possível a visualização dos dados individualmente. “O usuário pode usar um apelido e também não é exigido o CPF para realizar o cadastro. Não precisa temer a identificação”, ressalta. 

Os dados inseridos no sistema passam a fazer parte de um banco de informações gerais, que analisados de forma coletiva, poderão orientar políticas públicas. Porém, como os dados são fornecidos por uma amostra heterogenia de produtores, algumas vezes de forma imprecisa, o sistema não objetiva a identificação de um custo médio do produto, sendo uma ferramenta de gestão voltada principalmente para facilitar as decisões dos produtores.   

As informações geradas pelo sistema, por exemplo, podem servir para o acompanhamento do uso de fertilizantes em determinada região ou para traçar o perfil do preço e utilização de mão de obra. “Outro exemplo de informação que pode ser gerada envolve a vida útil dos equipamentos, o que poderia resultar em uma forma de incentivos governamentais para reposição de tratores e maquinários”, esclarece o professor Gonzaga.

O usuário também não precisa temer a descontinuidade do programa, já que o sistema está vinculado à UFLA e ao PEC/Café. Uma vez inseridos no sistema os dados ficarão registrados, mesmo que passe por adequações e melhorias, com a inserção de novas ferramentas utilitárias.  

Ganhando novos adeptos

Com uma estrutura que torna o cálculo de indicadores técnicos e de custos mais rápido e eficiente, o AGROCUSTOS será utilizado para o gerenciamento das propriedades que participam do programa Certifica Minas Café, do Governo de Minas. A estimativa que a ferramenta seja utilizada por 1200 propriedades certificadas em 2010 e, para o próximo ano, 1500. Trata-se de uma evolução ao informatizar os cadernos de campo e disponibilizar relatórios de qualidade e de fácil compreensão.

O CIM também está firmando uma parceria com a Cooperativa Agrícola Alto Rio Grande (CAARG) para que o Centro de Trainee em Mercados acompanhe os custos de produção de todos os cooperados interessados por meio do sistema AGROCUSTOS. Avalia-se também a possibilidade de expansão desta parceria para a Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais (Coocamig), que engloba cerca de 10 mil produtores de Minas Gerais, e outras cooperativas interessadas. Com este serviço, há a facilidade do cooperado repassar ao CIM os custos tanto on line quanto impresso, para inserção no sistema e recebimento dos relatórios.

   

 

                        Polo de Excelência do Café 
http://excelenciacafe.simi.org.br/ 

 

EXPOCAFÉ 2010: tecnologias e inovações para o setor cafeeiro

domingo, abril 25th, 2010

.
.

As novidades da 13ª edição visam consolidar a EXPOCAFÉ como o maior evento nacional de transferência de tecnologia e de extensão do agronegócio café. Com reconhecida excelência em dinâmicas de máquinas e visitas aos campos experimentais, os visitantes são convidados a constatar as novidades das pesquisas em melhoramento genético, manejo e controle de pragas e doenças no campo. Pela primeira vez sob a coordenação da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), será realizada entre os dias 15 e 18 de junho, na Fazenda Experimental da EPAMIG, rodovia MG 167, em Três Pontas.

No dia 15, acontecerá o Simpósio com o tema “Mecanização e a mudança no processo produtivo” organizado pelo professor do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Fábio Moreira da Silva e pelo chefe da Unidade da EPAMIG Sul de Minas, Gladyston Rodrigues Carvalho. Na visão de Gladyston, a idéia do Simpósio é aproveitar a diversidade do público da EXPOCAFÉ visando não apenas o compartilhamento de informações e conhecimentos, mas também para direcionar novas pesquisas e políticas para o setor.  

De acordo com o presidente da EPAMIG, Baldonedo Napoleão, o objetivo é fazer com que o evento seja, de fato, um fórum de discussões e de definições de políticas públicas. “Estamos muito satisfeitos de coordenar esse grande evento; temos consciência da responsabilidade que estamos assumindo, mas também sabemos que a EPAMIG não assume essa coordenação sozinha, somos uma equipe de instituições sérias, todas trabalhando pelo sucesso da EXPOCAFÉ“, ressalta.

A realização da EXPOCAFÉ faz parte de um Acordo de Mútua Cooperação firmado entre EPAMIG, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Prefeitura de Três Pontas, União Cooperativa Agropecuária Sul de Minas (Unicoop) e Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel), com a interveniência da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). Além destas entidades, o Polo de Excelência do Café é um dos apoiadores oficiais do evento.

As relações entre a oferta de conhecimento e a demanda tecnológica fazem parte dos princípios defendidos pelo Polo de Excelência do Café, que serve como articulador no processo de inovação e desenvolvimento do setor por meio da agregação de competências. Nesse sentido, a EXPOCAFÉ pode ser vista como a representação prática desta interação, já que coloca em um mesmo fórum diferentes setores e visões sobre os desafios da atividade. Além disso, o sucesso como um dos maiores eventos de extensão, é resultado da colaboração de diversas entidades e representações de classe, configurando-se como modelo multiinstitucional.

 

Rodada de Negócios

Pela quarta vez consecutiva, o Sebrae participa junto com a Cooperativa Central e Agropecuarista do Estado de Minas Gerais (Coocamig) que engloba 15 cooperativas das regiões Sul, Triângulo e Zona da Mata. O foco da rodada de negócios é aproximar fornecedores e compradores dos principais produtos negociados pela atividade, com destaque para defensivos agrícolas e fertilizantes. Em 2009, o volume de negócios chegou a R$61 milhões, com expectativa de 10 a 20% de aumento para este ano.  

 

Novidades para 2010

Para esta edição, será construído o Parque da EXPOCAFÉ, com a melhoria da infra-estrutura já existente, com dois novos pavilhões, onde serão abrigados os estandes, o espaço para rodada de negócios, palestras e cursos. Outra novidade é a informatização de todo o sistema da feira, com o credenciamento antecipado e relacionamento on line com os expositores.  A secretaria apresentará informações em tempo real sobre número, origem, perfil do público, os picos de visitação, dentre outras informações estratégicas para a gestão do evento e para facilitar a cobertura da imprensa. Também estará disponível em tempo real toda a gestão e o sistema de e-commerce da EXPOCAFÉ. Os expositores receberão convites para seu público de referência, com o objetivo de segmentar ainda mais os visitantes.

 

Outras informações e agendamento de visitas para instituições de ensino: (31) 34895078

Visite o site da EXPOCAFÉ: www.expocafe.com.br.

Acompanhe a EXPOCAFÉ no Twitter:

www.twitter.com/expocafe2010

 

                        Polo de Excelência do Café 
http://excelenciacafe.simi.org.br/ 

CEPE/Café formaliza gestão compartilhada

terça-feira, abril 20th, 2010

.

 

O crescimento do Centro de Ensino, Pesquisa e Extensão do Agronegócio Café (CEPE/Café) da Universidade Federal de Lavras (UFLA) tem sido tão expressivo que, à semelhança de um condomínio, torna-se necessário um regimento para organizar e dar sustentabilidade aos projetos cooperativos e uso coletivo da infra-estrutura. Em reunião realizada na quarta-feira (14), no anfiteatro do CEPE/Café, professores, pesquisadores e estudantes que têm o café como tema de seus estudos debateram a elaboração de normas e diretrizes que visam facilitar a convivência de todos os participantes.

Esta integração teve início em 1994, quando incentivados pelo então professor Antônio Nazareno Guimarães Mendes, estudantes de graduação e pós-graduação do Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA) criaram o Núcleo de Estudos em Cafeicultura (NECAF), que se fortaleceu e deu origem ao CEPE/Café. Com o apoio de diversos programas de pesquisa e fomento, consolidou-se como um modelo de gestão participativa, que passou a agregar recursos humanos e de infra-estrutura para a solução de tecnologias demandadas pelo setor.  

Multidisciplinar e com a participação de diversas instituições parceiras, o CEPE/Café representa a união de diversos Departamentos da UFLA (hoje, cerca de 80 professores trabalham direta ou indiretamente com o café), o NECAF (representação dissente), o Polo de Tecnologia em Qualidade do Café, o Polo de Tecnologia em Aplicação de Defensivos, o Polo de Excelência do Café (PEC/Café), o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT/Café), duas biofábricas, a Revista Coffee Science (única revista científica especializada em cafeicultura do Brasil), além de diversas outras iniciativas, como experimentos sobre irrigação, mecanização, melhoramento genético e manejo da lavoura cafeeira.   

Para o professor Rubens José Guimarães, a evolução do Centro respalda-se no principio de integração e complementaridade entre as diversas competências, sendo que o resultado do trabalho coletivo resulta em uma destacada densidade de conhecimento. Ele destaca que esta força conquistada pela agregação de diversas áreas tem sido um motivador para novas conquistas, como a escolha da UFLA para sediar o PEC/Café, embasado justamente no alinhamento estratégico para transformar o conhecimento em inovação e produto.

“A iniciativa de elaboração do regimento não nasceu para resolver situações de conflito, mas, justamente, para garantir que a convivência, o compartilhamento de ideias e o uso comum de toda a estrutura acompanhem o crescimento e expansão do CEPE/Café”, enfatiza o professor Rubens. Ele ressalta ainda que a convivência harmoniosa de todos os setores envolvidos favorece a aplicação e adoção das tecnologias geradas pela pesquisa, como um mecanismo permanente de integração entre a universidade e seu público de referência.

Para Gabriel José de Carvalho, chefe do Departamento de Agricultura da UFLA, o regimento deverá facilitar a organização do uso coletivo dos recursos e estruturas. Embora as normas representem um processo de burocratização, por outro lado, evitam o mau uso do bem público e reforçam o sentimento de justiça pela equidade de sua aplicação. “Este debate é apenas um embrião, mas caminha para uma organização muito positiva”, afirma.

Coordenadora do Polo de Tecnologia em Qualidade do Café, Rosemary Gualberto Pereira considera importante o debate sobre esta normatização, sobretudo, para que cada setor possa apresentar suas dificuldades e demandas. Como professora do Departamento de Ciência dos Alimentos, Rosemary sugere uma organização das rotinas dos laboratórios e dependências de uso comum, para facilitar o agendamento programado das atividades. “O uso do bem público envolve interação e comprometimento, não só durante o uso, mas também para a sua manutenção e crescimento”, destaca.      

 

                        Polo de Excelência do Café 

http://excelenciacafe.simi.org.br/

 

Embrapa Café tem nova gerência interina

quinta-feira, abril 15th, 2010

.

Após completar seu primeiro mandato de dois anos, Aymbiré Francisco Almeida da Fonseca deixa a gerência geral da Embrapa Café, cargo assumido interinamente pela pesquisadora Mirian Eira, que ocupava o cargo de gerente adjunta técnica. O pesquisador Paulo César Afonso Júnior assume a gerência técnica e Elessandra Aparecida Bento Mourão assume a Secretaria Executiva da Comissão Técnica do Programa Café (CTP/Café). Um novo edital para a seleção da gerência geral deverá ser publicado em breve pela Embrapa.

 

Aymbiré Fonseca solicitou seu afastamento, já que o processo de recondução por um possível segundo mandato se daria agora por mais três anos, devido a problemas pessoais, sobretudo relacionados à sua saúde. Pesquisador da Embrapa, com atuação no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), assumiu a gerência da Unidade em março de 2008, em substituição a Gabriel Ferreira Bartholo. Aymbiré retorna ao Incaper, no Estado do Espírito Santo, onde volta a atuar no programa de melhoramento genético e manejo de plantas e lavouras do cafeeiro, que tem trazido grandes avanços à cafeicultura capixaba, notadamente para a valorização do café conilon.

 

Ao assumir o cargo como gerente geral interina, Mirian Eira esclarece que este é um momento de transição, em que será dada continuidade ao projeto de articulação que vem sendo desenvolvido nos últimos dois anos.

 

Na avaliação de Aymbiré, embora inovador e de notório valor, o Consórcio é um modelo que necessita constante avaliação de suas diretrizes, devendo se adaptar ao contexto e demandas das instituições parcerias. Para ele, cabe ao Conselho Diretor, a definição da sistemática que mais atenda as necessidades do coletivo. A interação e a defesa dos princípios que deram sustentação à sua criação, devem continuar a ser metas constantemente buscadas pelas instituições consorciadas.

 

“O aprendizado foi extraordinário e enriquecedor. Estou convencido de que o caminho da Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é o da parceria, da interação entre competências e instituições de pesquisa. Nosso país dispõe de uma força de trabalho extremamente valorosa e que se complementa. Esta interação é destacada mundialmente quando o assunto é o conhecimento em cafeicultura”, ressalta Aymbiré.

 

“Agradeço a todas as pessoas pelo esforço para a evolução e consolidação do Consórcio Pesquisa Café nesta gestão, aos pesquisadores e dirigentes das instituições consorciadas, aos pesquisadores e funcionários da Embrapa Café, aos pesquisadores e chefes das Unidades da Embrapa e a todos os colaboradores do Programa Nacional de Pesquisa”, complementa.

.

 

Sylvia Saes: desvendando os gargalos da economia cafeeira

segunda-feira, abril 12th, 2010

 

 

Mestre e doutora em Economia (USP), foi com o tema café que a professora e pesquisadora Maria Sylvia Macchione Saes construiu um currículo destacado em sistemas agroindustriais e ações coletivas. Conhecedora do mercado de café e dos desafios inerentes à atividade, enfatiza seus estudos na compreensão de mecanismos de comercialização e diferenciação de cafés especiais, bem como das relações entre os diferentes elos da cadeia. Professora da USP desde 2002 e presidente da Comissão de Pesquisa da Faculdade de Economia e Administração (FEA/USP), também participa de projetos de pesquisa que envolve o desempenho de redes organizacionais e práticas industriais. É autora da obra “O Agribusiness do Café”. Na última sexta-feira (09), Sylvia Saes participou de uma banca de qualificação de doutorado no Departamento de Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (DAE/UFLA). O Polo de Excelência do Café aproveitou a oportunidade para entrevistar a pesquisadora cosmopolita que é fascinada pelo café.

 

PEC/Café: O cafeicultor está sempre reclamando, e as crises estão cada vez menos espaçadas… Qual é o grande gargalo? É um erro do produtor ou uma característica do mercado?

Sylvia Saes: São várias questões. Nos últimos anos, o salário da mão de obra cresceu muito, o que é um bom indicativo. Porém, nós competimos com países onde a mão de obra é muito barata. Este ponto onera principalmente o produtor do Sul de Minas, pelas características de uma cafeicultura de montanha, altamente dependente de mão de obra. Este problema de concorrência é real. Outro problema histórico está no valor do café brasileiro cotado internacionalmente. A diversidade enorme de produtores e a falta de cuidado em algumas regiões no pós-colheita fazem com que a qualidade média do nosso café não seja muito boa. Certamente existem produtores que conseguem nichos de mercado diferenciados. Mas, de maneira geral, o Brasil produz um café com alto custo de produção, porém, é pouco valorizado perante outros países produtores, como os cafés lavados.

 

PEC/Café: Como desatar este nó?

Sylvia Saes: Ou a gente investe na melhoria da qualidade e mostra para o mercado internacional, ou os produtores de arábica de baixa qualidade continuarão a sofrer com a crise ou deixarão a atividade. É uma tristeza, já vimos muitas lavouras de café serem trocadas por eucalipto. Neste cenário, a certificação também pode ser uma alternativa para a diferenciação da qualidade…

 

PEC/Café: Depois de tantos estudos, pode-se dizer que a certificação traz sempre benefícios?

Sylvia Saes: Os estudos realmente demonstram que nem sempre há um ganho financeiro com a certificação. Mas, de certa forma, ela começa a ser um parâmetro. Hoje o importador prefere comprar pelo mesmo preço o produto certificado. Então a certificação acaba sendo um custo a mais que o produtor tem que internalizar. Num primeiro momento, ela se apresenta como diferencial, mas a medida que muitos outros passam a adotá-la, dependendo da certificação, deixa de ser um diferencial para ser quase uma exigência do mercado. Quanto a isto não dá pra fugir. Mas existe o lado bom. As certificações acabam por orientar o produtor na gestão da atividade, uma forma de administrar os custos, aperfeiçoar a produção, adotar práticas mais econômicas… Assim, tem-se o ônus de nem sempre o custo se reverter em aumento da renda, mas tem o benefício de organizar melhor a propriedade.

 

PEC/CAFÉ: Por esta ótica, o programa Certifica Minas Café, do Governo de Minas, está no caminho certo ao reduzir substancialmente os custos da certificação ao mesmo tempo em que reafirma seus benefícios?

Sylvia Saes: Realmente é uma política interessante e pode render um ótimo estudo de caso. Esta experiência pode mostrar a diferença dos produtores antes e após a certificação, sobretudo, com enfoque na gestão das propriedades…

 

PEC/Café: Existe uma dúvida clássica. Na crise, quem sofre mais, o pequeno ou o médio produtor?

Sylvia Saes: Acredito que o pequeno produtor tem maiores condições de sobrevida porque, em geral, ele deixa de contabilizar a mão de obra que na maioria das vezes é familiar. Ele consegue gerir melhor seu custo em épocas de crise. Já o médio produtor tem que arcar com a mão de obra e tem menos flexibilidade para redução de custos, sobretudo na colheita. A solução para o médio produtor seria evitar a monocultivo. Ele deveria escolher a melhor área para o plantio do café e investir em qualidade, enquanto em outras áreas deveria diversificar conforme a aptidão da região.

 

PEC/Café: Você é uma pesquisadora que tem o currículo marcado por estudos em café… São dezenas de artigos, projetos de pesquisa, livros sobre café. Como este tema surgiu em sua vida?

Sylvia Saes: Estava no doutorado, (Universidade de São Paulo – USP), sem orientador e sem tema de estudo. Na época, a professora Elizabeth Farina me convidou para participar de uma pesquisa da ABIC sobre a cadeia do café. Entrei e não sai mais…fiz o doutorado e a livre docência sobre o café. O tema é cativante, as pessoas são interessantes, existe inovação, diferentes hábitos de consumo…

 

PEC/Café: Uma tendência para o agronegócio café?

Sylvia Saes: Eu acho que a atividade vai passar por uma readequação. Produtores com custos elevados e baixa produção passarão por uma seleção natural, acompanhando o desenvolvimento da economia. O momento é de entender o que está acontecendo com o mercado para se adaptar a ele. Produtores que não se adaptarem a este contexto tecnológico, em muitos casos, terão que sair da atividade.  

 

 http://excelenciacafe.simi.org.br/