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Mercado, pesquisa e extensão. Esta combinação tem ajudado na expansão de treinamentos de multiplicadores sobre novas tecnologias para o aperfeiçoamento do sistema produtivo do café. Nos dias 12 e 13 de agosto, 50 técnicos da Emater do Sul de Minas participaram de treinamento no setor de cafeicultura da Universidade Federal de Lavras, com o apoio da empresa Basf. Na avaliação do gerente executivo do Polo de Excelência do Café (PEC/Café), Edinaldo José Abrahão, encontros que aliam ensino, pesquisa e extensão, ainda com o aporte de empresas representativas do mercado, configura-se como metodologia dialógica, não somente para levar informações (transferência de tecnologia), mas, sobretudo, para a identificação de necessidades de novas pesquisas aplicadas e para o desenvolvimento de inovações.
O encontro contou com duas referências em ensino e pesquisa cafeeira. Edson Ampélio Pozza, professor do Departamento de Fitopatologia, apresentou itens de boas práticas consideradas prioritárias no manejo de doenças do cafeeiro. Flávio Meira Borém, professor do Departamento de Engenharia Agrícola proporcionou uma atualização em tecnologia pós-colheita, com destaque para o processamento do café descascado, valorizado pelo mercado de cafés de qualidade.
Recomendação individualizada
Em sua apresentação, professor Pozza destacou a influência do manejo do cafeeiro nos níveis de doenças, com orientações para tomadas de decisões que favorecem a manutenção das lavouras em níveis mais saudáveis. Ele conduziu os participantes em um resgate das principais doenças, desde o alarde da Ferrugem nos anos 70, passando pela Cercóspora, Phoma, Mancha Anular, Bacteriose, com destaque para seus sintomas e controles. Lembrou, por exemplo, que as aplicações de fungicidas para controlar a ferrugem são feitas, muitas vezes, de forma equivocada, quando deveria ser realizada na parte inferior das folhas, onde o fungo germina e penetra. Esta deficiência também serve como sugestão de pesquisa para uma maior praticidade dos implementos de aplicação. Também destacou que o conjunto de medidas indicado para se ter um equilíbrio sanitário da lavoura deve ser específico para cada talhão.
Em meio à discussão de uma série de fatores que influenciam na proliferação de doenças, Pozza lançou um questionamento para ser desvendado pela pesquisa, que surgiu da própria demanda dos técnicos. Refere-se à dúvida sobre qual nível de Cálcio (Ca) e Potássio (K) deve ser disponibilizado ao solo para se atingir o nível adequado nas folhas. Essa dúvida surgiu em meio à discussão sobre a importância do Ca e K na resistência ao ataque da Cercóspora que, por sua vez, causa desfolha nas plantas e atrapalha a qualidade final da bebida.
Mercado diferenciado
Pelas afirmações do professor Borém, o principal desafio dos extensionistas está justamente em mudar o conceito de qualidade na mentalidade dos cafeicultores. Muitas vezes, a redução de defeitos físicos e defeitos de bebida não representam aumentos significativos dos custos de produção. O segredo da qualidade uniforme, segundo o professor, está ainda na lavoura, quando deverá ser feita a estratificação e a agregação de lotes semelhantes visando a colheitas mais uniformes. Lembrou que sabor e aroma são atributos que dependem da interação entre genótipo e ambiente, com grande valorização dos atributos de qualidade potenciais em cafés de alta altitude.
Apontou o café riado e o fermentado como problemas que devem ser sistematicamente evitados, por meio da redução das condições que favorecem tais defeitos, como alta umidade, ausência de oxigênio e presença de microorganismos. Destacou que quanto mais rápido for retirada a umidade do café, menos risco haverá de fermentação, sendo que em regiões de alta umidade é aconselhável o processamento via Cereja Descascado (CD). Do ponto de vista econômico, Borém argumenta que mesmo em anos de baixa valorização do café CD, o seu processamento é compensado pela redução dos custos e do tempo de secagem, otimizando a infra-estrutura de terreiro e secador.
Além do cereja, o professor tem resultados de pesquisa e relatos práticos que incentivam também o descascamento do café verde, que ganha um novo status de qualidade. Para o café verde natural, a recomendação clássica de secar em camadas grossas deve ser abolida. A secagem deve, pelo contrário, iniciar em camadas finas, quase grão a grão, até começar a ficar marrom (cor de folha seca), quando, então, deve ser juntado em leiras para secar lentamente. “Cuidados simples, de acordo com a realidade de cada produtor, pode significar grandes diferenças na qualidade do café”, ressalta Borém.
Polo de Excelência do Café
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