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O Grupo Técnico de Café (GTEC Sul de Minas) se reuniu nos dias 1º e 2 de junho em São Sebastião do Paraíso e visitaram a Fazenda Experimental da EPAMIG e a Cooparaiso.
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Atentos ao risco de disseminação do nematóide formador de galhas Meloidogyne paranaensis em lavouras cafeeiras do Estado de Minas Gerais, nematologistas e representantes de importantes instituições de pesquisa, ensino e extensão do Estado se reuniram, na última quarta-feira (26), na sede do Polo de Excelência do Café (PEC/Café), no setor de Cafeicultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA), para delineamento de ações de pesquisa em levantamento e distribuição de espécies de nematóides mais nocivas ao cafeeiro.
O encontro ressaltou a importância de se iniciar um programa de cooperação técnica envolvendo instituições e profissionais de diferentes áreas para o levantamento dos focos de infestação visando subsidiar medidas de prevenção e controle da praga em todas as regiões produtoras do Estado. A proposta será encaminhada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (SECTES), por meio do PEC/Café, sob a coordenação da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG).
A reunião contou com a presença dos professores Vicente Paulo Campos (Nematologista), Rubens José Guimarães (Fitotecnia/Cafeicultura) e Edson Ampelo Pozza (Epidemiologista) - Universidade Federal de Lavras (UFLA); da professora Maria Amélia dos Santos (Nematologista – Universidade Federal de Uberlândia - UFU); professora Rosângela D’Arc Lima Oliveira (Nematologista – Universidade Federal de Viçosa - UFV) e das pesquisadoras da EPAMIG, Sônia Maria de Lima Salgado (Epamig/Lavras) e Luciany Favoreto (Epamig/Uberaba). Também participaram da reunião os representantes da EMATER-MG, Marcelo Felipe (coordenador Estadual de Café), Marco Antônio Canestri, Marcos Fabri Júnior e Edson Spini Logato (representantes regionais).
Na avaliação da pesquisadora da EPAMIG e coordenadora da proposta, Sônia Salgado, o levantamento conjunto e a busca por soluções são necessidades urgentes. O projeto deverá incluir o levantamento de todas as regiões cafeeiras para averiguar a extensão e distribuição dos focos, com o mapeamento de áreas de risco de disseminação, sobretudo da espécie M. paranaensis, por meio dos sistemas de informações geográficas (SIG’s). O projeto também deverá englobar estratégias de conscientização dos produtores. “As informações deverão ser repassadas aos cafeicultores buscando nivelar os conhecimentos sobre a doença e os prejuízos advindos com o avanço da infestação”, destaca a pesquisadora.
Desde que a espécie Meloidogyne paranaensis foi detectada em Minas Gerais, nas regiões do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro, em 2003, e na região Sudoeste de Minas em 2004, os especialistas temem pelo avanço da doença. De acordo com informações da professora Maria Amélia, na região do Triângulo Mineiro já foram identificados outros focos desse nematóide, confirmando a sua disseminação. Em nome do PEC/Café, o gerente executivo Edinaldo José Abrahão destacou a importância da agregação de competências para se evitar a disseminação do nematóide em solo mineiro, por meio de uma rede colaborativa com o alinhamento de metas e objetivos.
Fique atento
A identificação da presença de nematóides no campo é dificultada pelo seu tamanho microscópio associado ao parasitismo interno nas raízes das plantas. O produtor deve ficar atento à presença de reboleiras de plantas com sintomas de deficiência mineral e desfolha, mesmo em condições adequadas de adubação, pois podem ser resultado do ataque de nematóides nas raízes. Em caso de suspeita, deve ser realizada amostragem periódica de solo e de raízes para exame em laboratório especializado. Devem ser coletadas amostras de raízes e solo na projeção da saia do cafeeiro. A amostra deve ser colocada em saco plástico, mantida à sombra e encaminhada o mais rápido possível para análise. Em Minas, esta análise pode ser feita no laboratório do Instituto Mineiro Agropecuário (IMA) e nos laboratórios das Universidades Federais de Lavras, Viçosa e Uberlândia (UFLA, UFV e UFU).
Polo de Excelência do Café
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A Fazenda Experimental de Varginha, sob a coordenação da Fundação Procafé, recebeu cerca de 2000 mil pessoas para o tradicional Dia de Campo, nesta quarta e quinta-feira (26 e 27). Com o objetivo de difundir o conhecimento gerado em diversos projetos de pesquisa e receber demandas e experiências de cafeicultores de toda a região, o evento cumpre o papel de encurtar o caminho entre a ciência e o campo.
Para esta edição, a Fundação Procafé prestou homenagem a cinco representantes da comunidade cafeeira, com a concessão da medalha ‘Mérito cafeeiro’. Entre os homenageados, Edinaldo José Abrahão, gerente executivo do Polo de Excelência do Café (PEC/Café), pela trajetória dedicada à extensão rural e à transferência de tecnologia. Nas palavras do presidente da Fundação Procafé, José Edgar Paiva Pinto, a homenagem tem o caráter de agradecimento às pessoas com destacada contribuição à cafeicultura. Dentre os homenageados, o pesquisador José Brás Matiello; o deputado federal Silas Brasileiro, o cafeicultor Algenio Ferraz de Castro (Carmo de Minas) e o professor Rêmulo Paulino da Costa (Poço Fundo).
O roteiro tecnológico
Os dias de Campo contaram com nove estações focadas em temas que afetam diretamente o manejo da atividade cafeeira, com a apresentação dos principais resultados de pesquisa. O pesquisador da Embrapa Café, Carlos Henrique Carvalho explicou aos visitantes as etapas para o desenvolvimento de plantas clonais de café arábica. Em fase de reprodução em uma biofábrica, em pouco tempo as mudas clonais estarão à disposição para avaliação dos produtores. Elas serão originadas de 20 plantas matrizes da variedade Siriema, selecionadas por apresentarem resistência ao bicho-mineiro, à ferrugem, possuir boa qualidade de bebida e alta produtividade.
Logo na primeira estação, o visitante recebia um alerta sobre nematóides, com informações dos riscos para a atividade e cuidados para se evitar a contaminação. Outros temas destacados no evento incluíram formas corretas de descarte de embalagens e tempos de carência adequados para uso de produtos fitossanitários; interação entre espaçamentos e variedades de café, importância da adubação racional do cafeeiro e aumento da produtividade com a irrigação complementar do cafeeiro em períodos de déficit hídrico em regiões como o Sul de Minas. Em experimento conduzido desde 1998, a diferença de produtividade média entre lavouras de sequeiro e irrigadas por gotejamento chegam a 22,4 sc/ha. O roteiro também contou com a apresentação do portifólio das empresas patrocinadoras (Basf, Bayer e Syngenta).
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http://www.vimeo.com/12095158
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Polo de Excelência do Café
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Todas as informações geradas por pesquisadores da área de cafeicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) estão reunidas no livro “Café arábica: do plantio à colheita”, que será lançado dia 16 de junho, durante a abertura da EXPOCAFÉ 2010. “Este livro representa um marco dos 35 anos de pesquisa da EPAMIG”, diz o pesquisador Paulo Rebelles, editor da publicação ao lado do pesquisador Rodrigo Luz da Cunha.
O livro traz resultados de pesquisas destacados numa extensa revisão bibliográfica, gerados com o apoio financeiro do Consórcio Pesquisa Café e de outras instituições, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “A iniciativa desta obra contou com a participação efetiva de 35 pesquisadores da EPAMIG, incluindo também aqueles de outros órgãos que estão à disposição desta Empresa, todos com vasta experiência e dedicação à pesquisa com a cultura do café”, ressalta Rodrigo Luz da Cunha.
“Café Arábica do plantio à colheita” traz, em 896 páginas, 14 capítulos, que começam com a história do café no Brasil e seguem com temas inéditos da pesquisa gerada pela EPAMIG. “Apresenta etapas importantes no manejo da cultura, atualizando informações de conteúdo técnico e abrangente, visando o cultivo racional por meio de tecnologias disponíveis que possibilitam uma produtividade com qualidade e sustentabilidade”, observa Paulo Rebelles, que diz que a finalidade do documento é atender à demanda de produtores, da assistência técnica, de pesquisadores e demais pessoas ligadas ao agronegócio do café, disponibilizando em uma só publicação todas as tecnologias geradas para o setor. “Acreditamos que, por meio dos temas desenvolvidos neste livro, bem como no segundo volume, programado para apresentar assuntos desde a colheita até o consumo do café, estaremos apresentando uma obra de grande valia com referencial para difundir informações técnicas e contribuir com a cafeicultura mineira e nacional”, afirmam os editores.
Para o presidente da EPAMIG, Baldonedo Arthur Napoleão, a obra é altamente relevante e necessária a cafeicultores, pesquisadores, professores, consultores, estudantes na área de Ciências Agrárias e a todos aqueles ligados à cadeia produtiva do café. “As informações aqui apresentadas fazem parte da comemoração dos 35 anos de pesquisa da EPAMIG e, sem dúvida, são importantes para dar continuidade ao desenvolvimento da cafeicultura de Minas Gerais e demais Estados produtores do País”, assegura.
O diretor técnico da EPAMIG, Enilson Abrahão, diz que a publicação vai coroar o trabalho da equipe de pesquisadores da área do café e mostrar a força e a competência do grupo.
O segundo volume já está sendo escrito e terá o título “Café Arábica: da pós-colheita ao consumo“. A publicação será lançada durante o próximo Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, que será realizado em Araxá, em 2011.
Títulos e autores de cada capítulo do livro
CAPÍTULO 1- HISTÓRIA DA CAFEICULTURA NO BRASIL
Sára Maria Chalfoun
Paulo Rebelles Reis
CAPÍTULO 2- MORFOLOGIA E FISIOLOGIA DO CAFEEIRO
Darlan Einsten do Livramento
CAPÍTULO 3- CULTIVARES: ORIGEM E SUAS CARACTERÍSTICAS
Antonio Alves Pereira
Gladyston Rodrigues Carvalho
Waldênia de Melo Moura
César Elias Botelho
Juliana Costa de Rezende
Antonio Carlos Baião de Oliveira
Felipe Lopes da Silva
CAPÍTULO 4: PRODUÇÃO DE MUDAS DE CAFEEIRO
Edson Marques da Silva
Juliana Costa de Rezende
Ângela Maria Nogueira
Gladyston Rodrigues Carvalho
CAPÍTULO 5- PREPARO DO SOLO E PLANTIO: INSTALAÇÃO
DO CAFEZAL
Cesar Elias Botelho
Juliana Costa de Rezende
Gladyston Rodrigues Carvalho
Paulo de Tácito Gontijo Guimarães
Antônio de Pádua Alvarenga
Marcelo de Freitas Ribeiro
CAPÍTULO 6- NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DO CAFEEIRO
Paulo Tácito Gontijo Guimarães
Thiago Henrique Pereira Reis
CAPÍTULO 7- MANEJO DE PODAS DO CAFEEIRO
Rodrigo Luz da Cunha
Marcelo de Freitas Ribeiro
Vicente Luiz de Carvalho
Darlan Einstein Livramento
CAPÍTULO 8- IRRIGAÇÃO
Édio Luiz da Costa
Fúlvio Rodriguez Simão
Polyanna Mara de Oliveira
Rogério Faria Vieira
Vânia Aparecida Silva
CAPÍTULO 9- MANEJO DO MATO EM CAFEZAIS
Elifas Nunes de Alcântara
Rogério Antônio Silva
CAPÍTULO 10- MANEJO INTEGRADO DAS PRAGAS DO CAFEEIRO
Paulo Rebelles Reis
Júlio César de Souza
Lenira Viana Costa Santa-Cecília
Rogério Antonio Silva
Mauricio Sergio Zacarias
CAPÍTULO 11- MANEJO DE DOENÇAS DO CAFEEIRO
Vicente Luiz de Carvalho
Sara Maria Chalfoun
Rodrigo Luz da Cunha
CAPÍTULO 12- MANEJO DE FITONEMATÓIDES EM CAFEEIRO
Sônia M. de Lima Salgado
Juliana Costa de Rezende
CAPÍTULO 13- COLHEITA, PREPARO E SECAGEM DO CAFÉ
Marcelo Ribeiro Malta
Sílvio Júlio de Resende Chagas
CAPÍTULO 14- ARBORIZAÇÃO DE CAFEZAIS NO BRASIL
Paulo César de Lima
Waldênia de Melo Moura
Margarete Marin Lordelo Volpato
Felipe Rodrigues Reigado
Josiane dos Santos
ASCOM EPAMIG
(31) 3489.5022 / 3489.5023/ (32) 8839-7978
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Desde que foi anunciada a possibilidade de adicionar o café arábica brasileiro de padrão lavado à lista de origens para entrega do contrato futuro na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), representantes do setor produtivo, lideranças e especialistas têm fomentado o debate como oportunidade para conquistar uma nova imagem no cenário internacional. Discutida há mais de uma década, ainda sem sucesso, a possibilidade de inserção do arábica brasileiro nos contratos de Nova York reflete um momento oportuno e justificado.
A reavaliação respalda-se no aumento do volume do café brasileiro de qualidade e de sua ampla aceitação no mercado. O volume de café brasileiro produzido por via úmida gira em torno de quatro milhões de sacas. Acrescenta-se a este cenário a escassez de lavados dos países da América Central e Colômbia, com risco de haver uma intensa especulação, com volume negociado desproporcional ao café passível de entrega. A escassez se deve tanto pela quebra de safra de tradicionais países produtores, em especial a produção colombiana que impacta o mercado, quanto pela expansão do mercado de cafés especiais, com uma segmentação de canais que progressivamente tem reduzido o volume negociado em bolsa.
Na avaliação do pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Luis Vegro, essa é uma oportunidade de ‘diamante’. “Talvez seja o fato mais importante para o agronegócio café brasileiro a ocorrer em 2010”, enfatiza, convocando as representações da cafeicultura a se mobilizarem para acelerar o processo e o aceite do café brasileiro para o contrato C em Nova Iorque. “Todo o agronegócio café deveria se mostrar coeso na aceleração desse processo, pois somente gera melhor precificação para essa qualidade que é crescente no Brasil, algo que deve variar entre R$40,00/sc a R$ 50,00/sc”, complementa.
A campanha para inserção dos cafés brasileiros processados por via úmida teve como marco importante um estudo técnico realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em 2004, que incluiu uma série de verificações da qualidade do café produzido em diversas regiões. As provas de qualidade, realizadas em Nova York por provadores de diferentes países, resultou na superação das barreiras de natureza técnica. Faltava superar outros fatores de natureza política e burocrática, que afastaram o Brasil por todos estes anos de participar destes contratos. Agora, mais uma vez, está sendo avaliada a oportunidade do Brasil se tornar origem em contratos que hoje já são negociados por 19 países.
Na avaliação do diretor geral do Cecafé, Guilherme Braga Abreu Pires Filho, ter a cotação regida pela Bolsa facilita a formação do preço negociado, resultando em uma melhor precificação para os cafés que se adequem à qualidade exigida pelo contrato. Neste caso, a cotação na bolsa reduziria a volatilidade de preços com base em fatores internos, como o tamanho da safra ou estoques. Para este especialista em mercado de café, a opinião que mais vai pesar nesta consulta da ICE Futures será a dos grandes compradores, que já sinalizaram a necessidade de novos contratos. A mobilização interna também será importante no decorrer deste processo.
Como tradição para novos entrantes, considerando os padrões de qualidade e as cotações nos últimos cinco anos, a ICE Futures avalia que um diferencial de preço apropriado para o arábica do Brasil estaria dentro de um intervalo entre 7 a 9 centavos de dólar abaixo da paridade. De acordo com Guilherme Braga, de modo geral, o café lavado brasileiro já é negociado diretamente a compradores deste nicho, a preços superiores até mesmo ao referencial colombiano. Ele explica ainda que o diferencial do preço do café acompanha a oferta do mercado, sendo maior em anos em que a commodity apresenta qualidade média inferior. “Quando o café brasileiro estiver em NY, a tendência é que haja um diferencial de valorização”, destaca.
Para entender o assunto
Em debate na Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira, da rede virtual Peabirus, onde o tema tem rendido grande participação, o professor de Economia da Universidade Federal de Lavras, Luiz Gonzaga de Castro Júnior, explicou que o contrato de café tipo C é o padrão mundial do café arábica. Os preços dos cafés verdes para a entrega física do produto, a partir dos 19 países de origem, são formados a partir da qualidade do produto perante uma base diferencial, o que resulta em prêmios ou descontos de acordo com os portos de entrega e origens.
Atualmente são 19 países certificados para emissão dos contratos: México, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Nicarágua, Quênia, Nova Guiné, Panamá, Tanzânia, Uganda, Honduras, e Peru, no valor do contrato, Colômbia com prêmio de 200 pontos, Burundi, Venezuela e Índia com100 pontos de desconto, Ruanda com 300 pontos de desconto, e a República Dominicana e o Equador com 400 pontos de desconto. A Bolsa de NY tem armazéns licenciados no porto de Nova York (valor nominal do contrato), no Porto de New Orleans, no Porto de Houston, no porto de Bremen/Hamburgo, no porto de Antuérpia, no Porto de Miami e no porto de Barcelona (com desconto de 1,25 cents/lb).
De acordo com o professor Gonzaga, para o café brasileiro e, consequentemente para o Brasil, é uma das melhores alternativas de marketing do produto. “A inclusão do Brasil como origem para entrega de café na ICE Futures deverá ampliar a visibilidade e a credibilidade do produto e, desta forma, a sua competitividade no mercado externo”, considera.
Polo de Excelência do Café
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A colheita do café se inicia nas principais regiões cafeeiras, com estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para uma safra em torno de 47 milhões de sacas. Muitos produtores estão atentos aos cuidados essenciais para a manutenção da qualidade no período de colheita e pós-colheita. No entanto, a qualidade final da bebida, segundo especialistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), reflete um cuidado que abrange toda a atividade, desde a formação da lavoura ao manejo adotado seguindo boas práticas agrícolas. Na prática, para a obtenção de cafés de boa qualidade, torna-se fundamental a elaboração de um planejamento adequado que envolva todo o processo produtivo do café.
Na avaliação da pesquisadora da EPAMIG, Sara Maria Chalfoun, especialista na área de fitopatologia e microbiologia, a qualidade do café é construída durante todo o processo produtivo, resultando em um produto com histórico carregado de valores tangíveis e também intangíveis. Além de apresentar características sensoriais e físicas desejadas, o café deve estar livre de resíduos de qualquer natureza, sejam químicos ou metabólicos tóxicos produzidos por microorganismos.
Chalfoun argumenta que um produto final com características preservadas deve incluir o respeito ao ambiente e ao ser humano. Assim, a qualidade sinaliza também a adoção de boas práticas agrícolas, como a seleção de produtos menos agressivos, a otimização de sua aplicação e a observação dos períodos de carência. “É o sistema passível de rastreabilidade que vai conquistar cada vez mais a apreciação dos consumidores”, destaca.
A pesquisadora explica que ao amadurecer na planta, os fruto já iniciam a quebra de resistência natural contra microorganismos. Deve-se, portanto, ser adotado um manejo adequado para que não ocorra a fermentação indesejada nos frutos e nos grãos já colhidos. Ela orienta ainda que em regiões de elevada umidade de ar, deve haver uma integração de medidas de controle, não sendo, neste caso, recomendado o adensamento. Além destes cuidados, a colheita deve ser preferencialmente no pano, evitando-se o contato com o chão.
Ao longo da observação destes microorganismos, Sara Chalfoun e sua equipe de pesquisa, o professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Carlos José Pimenta e Marcelo Cláudio Pereira, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), identificaram que o microorganismo Cladosporium cladosporioides estava associado ao café de boa qualidade. Apelidado de “fungo do bem”, o produto tem potencial para preservar os frutos presentes nos cafeeiros e que secam na planta antes da colheita, para que não sejam comprometidos por fungos prejudiciais.
A reincorporação deste fungo saprófito à lavoura inibe a ação nociva de outros fungos, como agente bioprotetor da qualidade do produto final. A tecnologia está em fase de transferência para produção em larga escala. O fungo do bem já é produzido em uma biofábrica na Universidade, construída com o apoio articulador do Polo de Excelência do Café (PEC/Café).
Fatores relevantes
De acordo com o pesquisador da EPAMIG na área de colheita, pós-colheita e qualidade do Café, Marcelo Ribeiro Malta, a produção de cafés de qualidade vai depender de uma série de fatores, que somados vão exprimir o potencial de qualidade de determinado lote de café. Esses fatores já se iniciam com a escolha da região de cultivo, devido as condições edafoclimáticas que contribuem de maneira significativa na obtenção de cafés de qualidade diferenciada. Normalmente, regiões de maiores altitudes contribuem para a obtenção de cafés de melhor qualidade. Além disso, a escolha da cultivar que possua aptidão para região poderá influir no potencial de qualidade final do produto.
Atenção deve ser redobrada nos processos de colheita e pós-colheita do café (processamento, secagem e armazenamento), pois mesmo que a condução da lavoura cafeeira no campo tenha sido adequada, a qualidade pode se perder se as etapas posteriores não forem bem realizadas. Marcelo Malta reforça que a colheita deve ser realizada com o máximo de frutos maduros e o processamento ser o mais rápido possível, sem deixar os frutos amontoados na lavoura ou mesmo na unidade de processamento, seja por via seca ou úmida. O especialista comenta que muitos produtores expandem a área de produção sem o cuidado de redimensionar toda a estrutura da pós-colheita do café (processamento, secagem e armazenamento), perdendo assim a qualidade do café obtida na fase de campo.
Polo de Excelência do Café

A temporada de pulverização na lavoura cafeeira só deve acontecer depois que passar a colheita, mas sempre é tempo de preparação. Cerca de 60 estudantes de graduação e pós-graduação participaram de um mini-curso sobre regulagem de pulverizadores utilizados na cafeicultura, ofertado dentro da programação do VII Ciclo de Palestras em Cafeicultura, promovido pelo Núcleo de Estudos em Cafeicultura da Universidade Federal de Lavras (NECAF/UFLA). O treinamento aconteceu nas lavouras experimentais da Universidade e foi ministrado pelo professor de Cafeicultura da UFLA, Virgílio Anastácio da Silva.
Uma tarefa que parece simples envolve um conjunto de informações e detalhes que se não forem levados em consideração poderão colocar em risco a eficiência da pulverização. Com experiência de mais de 10 anos como instrutor do SENAR/MG em treinamentos de aplicação de defensivos e operação e manutenção de tratores, o professor Virgílio orienta o produtor a ficar atento para conseguir o resultado de aplicação desejada.
Segundo seus ensinamentos, existem tecnologias que o produtor pode utilizar para monitorar esta eficácia, como o uso de cartão hidrosensível para a amostragem da aplicação. Outro fator importante a ser observado está relacionado ao tempo de vida útil dos produtos conforme o pH da calda de pulverização. Isto porque cada produto tem um pH ideal para a sua máxima eficiência. Os estudantes que participaram do treinamento receberam uma tabela para conferência do pH indicado para uma série de produtos utilizados na cafeicultura.
O curso contou com simulações utilizando o pulverizador ARBUS 400 acoplado ao trator e um pulverizador costal motorizado. Foram demonstradas regulagens de bicos para cada atividade, com suas especificidades para o caso de inseticidas, herbicidas e fungicidas. Segundo Virgílio, para cada tipo de aplicação existe uma série de fatores a serem observados, como o tipo de bico, a vazão, a dosagem, a pressão de pulverização, a velocidade de deslocamento e a faixa de pulverização. “Qualquer erro em um desses fatores poderá comprometer a aplicação e o produtor estará jogando dinheiro fora”, reforça.
Polo de Excelência do Café
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Com o objetivo de gerar um conjunto de informações que norteiem a promoção e o desenvolvimento da cafeicultura de montanha em Minas Gerais, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), por meio do Instituto Antonio Ernesto de Salvo (INAES), realizam o projeto “Cafeicultura Mineira de Montanha”, que compreende a caracterização e a elaboração de propostas de políticas públicas. Os resultados preliminares deste projeto foram apresentados nesta quarta-feira (05), no Centro de Excelência do Café (CEC), em Machado. O INAES é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP - que visa propor soluções para o agronegócio, contribuindo para o planejamento do setor e para a elaboração de políticas públicas específicas.
Tradicionalmente, Minas Gerais é separado em quatro regiões produtoras: Sul de Minas (que concentra 25% da produção nacional), Matas de Minas, Cerrado e Chapada de Minas. Fruto de particularidades econômicas, ambientais e geográficas, a produção de café também pode ser subdividida em cafeicultura de cerrado e cafeicultura de montanha. Segundo levantamento do INAES, a região de montanha tem se mostrado mais vulnerável às incertezas do mercado, fruto de algumas particularidades que a distinguem, como a maior necessidade de mão de obra, dada a condição geográfica e a estrutura produtiva, predominantemente de pequenos agricultores familiares.
Neste sentido, o foco deste projeto é justamente melhorar a caracterização deste tipo de cafeicultura, respeitando suas particularidades e dificuldades inerentes, propiciando um melhor direcionamento de políticas públicas voltadas a este perfil de produção. Ao todo, foram amostradas 1026 propriedades, sendo 362 na Zona da Mata, e 664 no Sul de Minas, estratificadas em pequenos, médios e grandes produtores.
De acordo com o coordenador técnico do projeto “Caracterização da Cafeicultura de Montanha”, José Luis Rufino, o estudo demonstra particularidades da produção de café por meio da mensuração dos impactos econômicos, sociais e ambientas deste segmento produtivo. Além disso, os indicadores levantados para a construção do perfil e características da propriedade cafeeira apresentam um comparativo entre pequenos, médios e grandes produtores da Zona da Mata e do Sul de Minas.
Chefe da assessoria técnica da FAEMG e superintendente do INAES, Pierre Santos Vilela apresentou alguns pontos estratégicos para o desenvolvimento da cafeicultura de montanha, como a consolidação da marca do café produzido nestes territórios, o fortalecimento das organizações representativas e da extensão rural, valorização e fixação da mão-de-obra na cafeicultura; capacitação para diversificação da atividade rural, incentivo ao associativismo e articulação junto ao governo para mediar o acesso ao financiamento e para solução dos problemas ambientais.
A reunião teve como objetivo incentivar o debate sobre a proposição de políticas públicas, aproveitando a participação de cafeicultores, lideranças de sindicatos e cooperativas, além de profissionais da EMATER-MG. Presente na reunião, Edinaldo José Abrahão, representando o Polo de Excelência do Café (PEC/Café), ressaltou a importância de estudos que contribuam para a caracterização da cafeicultura mineira. “Nós precisamos conhecer o nosso parque cafeeiro e suas particularidades para propor e nortear linhas de pesquisa, projetos inovadores e políticas específicas que possibilitem uma maior valorização da cafeicultura mineira. Este estudo é um grande passo”, enfatiza.
Polo de Excelência do Café
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